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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Taxiway de Londrina volta à pauta, mas quem vai pagar a conta?



    Mudança de controle do aeroporto reabre negociação para uma obra estimada em R$ 70 milhões. Projeto já foi desenvolvido, mas taxiway não faz parte das obrigações atuais da concessão e ainda não possui fonte de recursos definida.

    A construção de uma nova taxiway paralela à pista do Aeroporto Governador José Richa voltou ao centro das discussões em Londrina após a entrada do grupo mexicano ASUR na administração dos aeroportos anteriormente controlados pela Motiva.

    A Prefeitura pretende apresentar novamente a demanda à administradora e buscar uma solução para uma obra que há anos aparece entre as principais reivindicações relacionadas à infraestrutura aeroportuária da cidade.

    Mas existe uma questão central que precisa ser compreendida: a taxiway ainda não é uma obra contratada, não existe cronograma para sua construção e, principalmente, ainda não está definido quem pagará a conta.


 O que está sendo proposto?


"Taxiways que foram decomissionadas com a ampliação do Aeroporto de Londrina"

    A proposta consiste na implantação de uma taxiway aproximadamente paralela à RWY 13/31, permitindo que as aeronaves utilizem uma via própria para circulação em vez de permanecerem na pista de pousos e decolagens durante determinadas etapas do taxiamento.

    Operacionalmente, uma estrutura desse tipo pode reduzir o tempo de ocupação da pista, conhecido como Runway Occupancy Time, facilitar a sequência entre chegadas e partidas e diminuir a necessidade de backtrack, situação em que uma aeronave utiliza a própria pista para se deslocar até o ponto de saída ou de decolagem.

    Isso não significa que o Aeroporto de Londrina não possua pistas de táxi atualmente. O projeto discutido é de uma nova estrutura paralela, destinada a ampliar a capacidade e a eficiência do sistema de movimentação no solo.

    Os projetos foram entregues à Prefeitura em março de 2026 após doação realizada pela Pado, por iniciativa do empresário Alfons Gardemann. O trabalho foi desenvolvido pela MSE Engenharia com participação técnica de servidores municipais e apoio da então concessionária Motiva. Segundo a Prefeitura, a estrutura terá aproximadamente 2 km de extensão e cerca de 50 mil m² de área pavimentada.

    O escopo inclui estudos geométricos, terraplenagem, drenagem, pavimentação, sinalização horizontal e vertical, balizamento luminoso e instalações elétricas. A MSE classifica publicamente o trabalho como desenvolvimento dos "Projetos Básicos" da nova taxiway, embora comunicados da Prefeitura e matérias locais também tenham utilizado a expressão "projeto executivo".


 Quanto custaria?

    As estimativas mudaram conforme os estudos avançaram.

    Em novembro de 2025, quando o projeto ainda estava em elaboração, valores entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões eram mencionados pela Prefeitura. Em março de 2026, após a apresentação dos projetos, o investimento previsto já era de aproximadamente R$ 70 milhões.

    Esse valor hoje é utilizado como principal referência nas discussões sobre a obra.

    O problema é que a construção da taxiway não foi incluída entre as obrigações previstas no contrato de concessão do Aeroporto de Londrina.

    A mudança da Motiva para a ASUR também não modificou essa situação.

    Em 1º de setembro de 2026, a Motiva concluiu a venda de 100% de sua plataforma aeroportuária ao Grupo Aeroportuario del Sureste, ASUR. Com a transação, a ASUR passou a controlar a holding responsável pelos ativos aeroportuários, incluindo Londrina. Não houve, portanto, uma nova concessão ou um novo contrato específico para o aeroporto londrinense. Houve mudança no controle da empresa que administra a concessão existente.

    A própria ASUR informou que acompanha as discussões e vem fornecendo dados e apoio técnico, mas também reforçou que a nova taxiway não integra as obrigações contratuais atuais.



A discussão chegou à Justiça

    A questão é mais antiga que a atual concessão.

    Em 2016, ainda durante a administração da Infraero, Município e governo federal estabeleceram tratativas relacionadas à ampliação da infraestrutura aeroportuária. A Prefeitura posteriormente realizou desapropriações de áreas no entorno do sítio aeroportuário, mas parte das intervenções esperadas não avançou antes da concessão do aeroporto à iniciativa privada.

    Quando o aeroporto foi concedido em 2021, a construção da nova taxiway não entrou como obrigação da concessionária.

    Em dezembro de 2024, o Município levou a discussão à Justiça Federal por meio da Ação Civil Pública nº 5024081-82.2024.4.04.7001.

    Uma audiência de conciliação realizada em 6 de agosto de 2026 revelou um ponto especialmente importante para compreender a situação atual.


"Termo de Audiência - Parte 1"

    Durante a audiência, a ANAC afirmou que a área desapropriada pelo Município possui importância para a segurança operacional por ampliar a margem lateral desobstruída da pista, mas observou que essa área vai além dos mínimos exigidos atualmente.

"Termo de Audiência - Parte 2"

    Sobre a taxiway paralela, a Agência apresentou uma avaliação ainda mais relevante.

    Segundo a ANAC, utilizando uma projeção considerada bastante agressiva de crescimento das operações, a pista paralela de taxiamento somente seria tecnicamente necessária por volta de 2030. Em projeções mais próximas dos índices de crescimento efetivamente observados, essa necessidade poderia ocorrer apenas por volta de 2050.

Isso não significa que a obra seja desnecessária.

    Significa que, segundo a avaliação apresentada pela ANAC naquele processo, o volume operacional atual do aeroporto ainda não tornou a taxiway uma infraestrutura obrigatória.


Londrina quer se antecipar à necessidade

    A resposta do Município durante a audiência ajuda a entender por que a Prefeitura continua defendendo a construção.

    Londrina reconheceu como satisfatórias as informações técnicas apresentadas pelos órgãos federais, mas argumentou que a intenção sempre foi preparar o aeroporto antecipadamente para o crescimento futuro, em vez de esperar que a demanda alcance um ponto crítico para somente então iniciar uma obra dessa dimensão.

    O Município propôs, como tentativa de composição, que ao menos a pista adicional de taxiamento fosse construída em prazo mais próximo.

    É justamente nesse ponto que aparece a pergunta de aproximadamente R$ 70 milhões.

    A ANAC ponderou que a inclusão de uma obra não prevista na concessão poderia exigir reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, inclusive com possibilidade de reflexos nas tarifas cobradas dos usuários.

    A Motiva, ainda responsável pela administração naquele momento, adotou posição semelhante, afirmando que despesas adicionais não previstas contratualmente deveriam estar acompanhadas do correspondente reequilíbrio. O Município, então, sugeriu que fossem analisadas outras formas de custeio.

    Ao término da audiência, as partes concordaram em avaliar a proposta municipal de construção da taxiway em prazo mais curto e eventuais outras alternativas de composição. Não houve, porém, decisão determinando a execução da obra.


Governo Federal, Estado ou concessionária?

    Hoje, os principais caminhos discutidos passam pela obtenção de recursos do Governo Federal, participação do Governo do Paraná ou inclusão do investimento na concessão mediante algum mecanismo contratual e financeiro.

    Em março, o próprio prefeito Tiago Amaral já havia declarado que essas três possibilidades estavam sendo avaliadas.

    A chegada da ASUR criou uma nova oportunidade de negociação porque coloca do outro lado da mesa um grupo cuja atividade principal é justamente a administração aeroportuária. Entretanto, juridicamente, a troca de controlador não transfere automaticamente para a ASUR uma obrigação que não existia no contrato anterior.

    A Prefeitura informou em setembro que pretende reunir-se com a empresa para apresentar novamente as prioridades de Londrina e buscar alternativas para viabilizar o investimento.


Projeto existe. A obra ainda não

    A nova taxiway representa uma melhoria relevante para o Aeroporto de Londrina e pode proporcionar maior eficiência ao sistema de pistas, principalmente caso o número de movimentos cresça nos próximos anos.

    Mas é necessário separar expectativa de realidade.

    O projeto técnico existe. A área necessária foi objeto de desapropriações. A demanda é defendida pela Prefeitura e por entidades locais. Existe uma ação judicial em andamento e a proposta já foi formalmente discutida com ANAC, União, Ministério de Portos e Aeroportos e concessionária.

    O que ainda não existe é a definição de quem financiará aproximadamente R$ 70 milhões, qual será o instrumento jurídico utilizado, quem contratará a execução e quando a construção poderá efetivamente começar.

    A entrada da ASUR pode representar uma nova etapa da negociação, mas não significa que a taxiway esteja garantida.

    Depois de anos discutindo onde a pista deverá ser construída e desenvolvendo o projeto para viabilizá-la, Londrina chegou agora à pergunta mais objetiva de todas:

quem vai pagar a conta?

quinta-feira, 21 de maio de 2026

E o projeto da nova taxiway no Aeroporto de Londrina, como está o andamento?

"Empresário Alfons Gardemann e o prefeito de Londrina – Imagem: Emerson Dias/NCom"


    O TMA Londrina consultou diferentes fontes públicas, matérias jornalísticas recentes e encaminhou questionamento formal para a Prefeitura de Londrina, por meio da Lei de Acesso à Informação, para compreender em que estágio se encontra o projeto da nova taxiway do Aeroporto Governador José Richa, SBLO/LDB, em Londrina.

    A principal conclusão é objetiva: o projeto técnico da nova pista de táxi já foi entregue ao Município, a necessidade operacional da obra é reconhecida há anos, há discussões em andamento para eventual inclusão da melhoria no contrato de concessão, mas ainda não existe obrigação contratual vigente, fonte de recursos definida ou cronograma oficial para início das obras.


Projeto entregue, mas obra ainda sem execução definida


"Projeto em 3D da nova pista de taxiway ligando o pátio até a cabeceira 31. MSE Engenharia"

    A Prefeitura de Londrina recebeu o projeto executivo da nova taxiway em março de 2026. O material foi doado pelo industrial Alfons Gardemann, presidente do Conselho da Pado, e elaborado pela MSE Engenharia, com cooperação técnica da concessionária Motiva, que forneceu acesso ao sítio aeroportuário e documentos necessários ao desenvolvimento dos estudos.

"Projeto em 3D da nova pista de taxiway – Airbus A321 em modelo utilizando a via. MSE Engenharia"

    A estrutura projetada prevê uma pista de táxi paralela à pista de pouso e decolagem, com extensão aproximada de 2 km. As estimativas divulgadas indicam investimento entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões, valor influenciado especialmente pela complexidade de terraplanagem e pela necessidade de grande volume de movimentação e importação de solo.

    Do ponto de vista operacional, a taxiway não deve ser tratada como uma obra acessória. Em um aeroporto com pista única e sem uma via paralela plena de taxiamento, aeronaves frequentemente dependem da própria pista para deslocamento, backtrack, giro de 180º e liberação após o pouso. Isso aumenta o tempo de ocupação da pista, reduz a fluidez das operações e limita a capacidade de absorção de novas frequências, especialmente em horários de maior concentração de movimentos.


A resposta oficial obtida pelo TMA Londrina

    Por meio de solicitação formal encaminhada com base na Lei nº 12.527/2011, Lei de Acesso à Informação, o TMA Londrina questionou a Prefeitura sobre três pontos centrais: existência de tratativas para viabilização da obra, fonte de recursos e eventual cronograma preliminar.

    A resposta oficial informou que, no momento, não há obrigação contratual específica que exija a construção de uma nova pista de táxi. A concessão encontra-se na Fase II do contrato, etapa em que o provimento de capacidade adequada aos usuários é monitorado em relação a diferentes componentes da infraestrutura aeroportuária, incluindo terminal de passageiros, pátio de aeronaves, sistema de pistas de pouso e decolagem, sistema de pistas de rolamento e vias de acesso.

    O ponto mais relevante da manifestação oficial está na confirmação de que existem discussões em andamento sobre a possibilidade de alteração do contrato de concessão, com eventual inclusão de obrigação prescritiva para construção de uma pista de táxi paralela. Caso essa alternativa avance, caberá à ANAC conduzir a análise dos procedimentos e projetos, considerando a segurança operacional do aeroporto e a adequação contratual da concessão.

    Em termos práticos, isso significa que a obra ainda não está formalmente contratada, mas passou a integrar uma discussão regulatória e contratual mais concreta.


A lacuna do contrato de concessão


"Terminal de Passageiros do Aeroporto de Londrina, hoje, administrado pela MOTIVA. Foto: Portal Tarobá".

    A construção da nova taxiway não foi incluída como obrigação específica no contrato de concessão original do aeroporto. Esse ponto é essencial para compreender a dificuldade atual: a concessionária administra o aeroporto, mas a obra não consta, até o momento, como investimento obrigatório previsto contratualmente.

    Por isso, o caminho em discussão tende a envolver uma das seguintes alternativas: alteração contratual, aditivo ao contrato de concessão, eventual reequilíbrio econômico-financeiro, recursos federais, recursos estaduais, emendas parlamentares ou outra forma de composição institucional. Nenhuma dessas alternativas, entretanto, aparece até agora como solução formalmente concluída.

    A própria Prefeitura já sinalizou publicamente que o desafio atual não é mais apenas defender a importância da obra, mas articular a origem dos recursos e o instrumento jurídico adequado para viabilizá-la.


Situação fiscal do Município pesa sobre a viabilização


"Prefeito Tiago Amaral (PP), discursando na cerimônia alusiva de entrega do ILS Londrina. Foto: TMA Londrina".


    Outro elemento relevante é o cenário orçamentário da Prefeitura de Londrina. Informações divulgadas pela CBN Londrina apontam que o secretário municipal de Planejamento, Marcos Rambalducci, afirmou não haver mais contingenciamento nas contas municipais. No entanto, a mesma informação indica que o orçamento segue fortemente comprometido com o custeio das secretarias, restando pouca margem para investimentos.

    Segundo a publicação, para o ano seguinte foram reservados apenas R$ 12 milhões para investimentos na Lei de Diretrizes Orçamentárias em tramitação, queda expressiva em relação aos R$ 70,5 milhões previstos no orçamento anterior.

    Esse dado reforça uma leitura objetiva: uma obra estimada em aproximadamente R$ 60 milhões a R$ 70 milhões dificilmente dependerá apenas de recursos próprios do Município. A viabilização tende a exigir articulação com outros entes públicos, com a concessionária ou com o Governo Federal, especialmente por se tratar de infraestrutura aeroportuária concedida.


Por que a taxiway é estratégica para Londrina


"Informações do Projeto no site oficial da MSE Engenharia".


    A nova taxiway é reivindicação antiga da comunidade aeroportuária e empresarial de Londrina. A discussão não se resume ao conforto operacional, mas envolve capacidade, regularidade, eficiência e competitividade regional.

    Com o crescimento da demanda e a avaliação de ampliação de voos por companhias aéreas, especialmente a LATAM, a infraestrutura em solo passa a ter papel central. Aeronaves maiores, maior número de frequências e operações em horários concentrados exigem menor tempo de ocupação de pista e maior previsibilidade no fluxo de pousos, decolagens e taxiamento.

    A ausência de uma taxiway paralela plena mantém o aeroporto em uma condição operacional menos eficiente, principalmente quando comparado a terminais que dispõem de infraestrutura mais adequada para liberar rapidamente a pista após o pouso ou posicionar aeronaves para decolagem sem depender de deslocamentos prolongados pela própria pista.


O estágio real da obra


"Recorte do projeto original da MSE Engenharia. TMA Londrina".

    Com base nas informações consolidadas, o estágio atual pode ser resumido da seguinte forma: Londrina possui projeto técnico entregue, há reconhecimento público da importância da obra, existe articulação institucional em andamento e há discussão sobre possível alteração do contrato de concessão. Porém, ainda faltam os elementos decisivos para que a obra saia do papel: definição formal da fonte de recursos, instrumento jurídico de execução, aprovação técnica pelos órgãos competentes e cronograma oficial.

    Portanto, a nova taxiway avançou no campo técnico e político, mas ainda não avançou para a fase executiva. O projeto existe, a necessidade operacional é clara, mas a obra ainda depende de decisão contratual, financeira e regulatória.

    Para Londrina, o ponto central agora é transformar uma reivindicação histórica em obrigação formal de investimento ou em obra financiada por fonte definida. Sem isso, a taxiway continuará sendo um projeto tecnicamente pronto, operacionalmente necessário, mas ainda sem data para se tornar realidade no Aeroporto Governador José Richa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Nova taxiway do Aeroporto de Londrina avança para fase final de projeto com doação da iniciativa privada



    O Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, pode avançar uma etapa para recompor uma infraestrutura que foi retirada de operação em decorrência de exigências regulatórias. As antigas taxiways paralelas foram desativadas após a certificação do aeródromo conforme o RBAC 154 da ANAC, norma que estabelece requisitos de projeto e operação para aeródromos públicos. Entre eles está a distância mínima entre o eixo da pista de pousos e decolagens e o eixo da taxiway paralela, que para pista de precisão código 4C categoria I deve ser de aproximadamente 158 metros, condição não atendida pela configuração anterior.

    Nesse contexto, encontra-se em fase final o projeto executivo de uma nova taxiway paralela, totalmente compatível com os parâmetros geométricos e operacionais previstos na regulamentação vigente. O material técnico está sendo elaborado pela MSE Engenharia e será formalmente doado ao município pelo empresário Alfons Gardemann, da indústria Pado, caracterizando contribuição privada destinada ao aprimoramento da infraestrutura aeroportuária local.

    A nova via de taxiamento permitirá que aeronaves se desloquem paralelamente à pista sem necessidade de backtrack com curva (giro) de 180 graus, procedimento hoje necessário para retorno após pouso ou posicionamento para decolagem. A operação atual aumenta o tempo de ocupação da pista e gera maior consumo de combustível, além de reduzir a eficiência do fluxo operacional.

    As pranchas técnicas desenvolvidas apresentam a geometria da taxiway com raios de curva compatíveis com diferentes categorias de aeronaves, áreas pavimentadas, faixas de segurança e zonas de proteção operacional. O traçado considera critérios de certificação aeroportuária e requisitos de segurança operacional aplicáveis a aeródromos com procedimentos por instrumentos.

    A inexistência de taxiway paralela aumenta o tempo de espera entre pousos e decolagens e reduz a capacidade operacional do aeroporto, situação distinta de outros terminais de porte semelhante que dispõem dessa estrutura básica. A permanência prolongada de aeronaves sobre a pista repercute na programação das companhias aéreas e pode refletir em aumento indireto de custos operacionais.

    Com a conclusão do projeto executivo, o município passa a dispor de base técnica para buscar recursos destinados à execução da obra, seja em esfera estadual ou federal. Estimativas preliminares divulgadas anteriormente pela administração municipal apontam investimento entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões. A etapa seguinte dependerá de análise pelos órgãos reguladores da aviação e definição do ente responsável pela implantação.

    A construção da nova taxiway atende demanda antiga das empresas aéreas que operam em Londrina e tende a ampliar a capacidade de movimentação, reduzir o tempo de ocupação da pista e elevar a segurança das operações em solo. A entrega do projeto marca a transição de estudos conceituais para planejamento executivo efetivo, etapa necessária para viabilizar a futura obra de infraestrutura aeroportuária.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Taxiways, capacidade operacional e transparência institucional no Aeroporto de Londrina



    A infraestrutura de taxiamento constitui um dos elementos mais sensíveis da capacidade operacional de um aeroporto. Embora frequentemente menos visível ao público em geral do que pista ou terminal, a existência, o traçado e o posicionamento adequado das taxiways influenciam diretamente a segurança operacional, a fluidez do tráfego aéreo e a eficiência do uso da pista e do pátio.

    No contexto do Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, a discussão sobre a implantação de uma nova taxiway ganha relevância estratégica em um momento de ampliação da complexidade operacional, com incremento de operações comerciais regulares, consolidação de procedimentos por instrumentos e aumento da exigência regulatória associada a aeródromos com aproximação IFR.

Taxiways e capacidade do sistema pista-pátio


    Segundo o ICAO Annex 14 e o ICAO Doc 9157 Aerodrome Design Manual, a capacidade de uma pista não é determinada apenas pelo comprimento ou resistência do pavimento, mas pelo conjunto pista, taxiways e pátio de aeronaves. A ausência de taxiways paralelas ou de saídas rápidas eleva o tempo de ocupação da pista, reduz o número máximo de movimentos por hora e amplia a probabilidade de congestionamentos em solo.

    O ICAO Doc 4444, ao tratar da gestão do tráfego aéreo em solo, reforça que a previsibilidade e a segregação adequada dos fluxos de taxiamento são fundamentais para reduzir risco de incursão em pista, otimizar separações e permitir maior regularidade operacional. Em aeroportos com operações comerciais e aviação geral compartilhando o mesmo sistema, a taxiway deixa de ser apenas um elemento de conveniência e passa a ser um fator crítico de segurança.

    Do ponto de vista do pátio, a inexistência de taxiways eficientes pode gerar conflitos entre aeronaves em pushback, taxi e estacionamento, limitando a taxa de utilização simultânea das posições e impactando diretamente a capacidade do terminal, mesmo quando este possui áreas físicas disponíveis.


A manifestação à Prefeitura de Londrina e a resposta institucional


    Diante desse cenário, o TMA Londrina encaminhou manifestação formal à Ouvidoria da Prefeitura do Município de Londrina, solicitando esclarecimentos técnicos e administrativos sobre o projeto da nova taxiway, reconhecendo sua relevância estrutural para o sítio aeroportuário e para o desenvolvimento regional.

    A resposta oficial, registrada sob o número 4286/2025, esclarece que o projeto foi iniciado formalmente em 11 de dezembro de 2025, com prazo contratual de 60 dias para conclusão. A elaboração está sob responsabilidade da LMS & Associados – Projetos e Gerenciamento, empresa integrante do grupo MSE Engenharia.

    O Município informou que o projeto ainda se encontra em desenvolvimento e que o grau de detalhamento eventualmente passível de divulgação será definido em momento posterior. Após a conclusão da fase de projeto, terá início a etapa de busca de recursos para viabilização da obra, cujas possibilidades jurídicas estão em discussão interna na administração municipal. A Prefeitura reafirma, por fim, que haverá esforço institucional para manter a previsão anteriormente divulgada, incluindo a perspectiva de assegurar recursos até abril de 2026 e avançar para a licitação no primeiro semestre do ano.



    As informações constam do Processo nº 19.002.226167/2025-73, SEI nº 17342810, conferindo rastreabilidade administrativa e respaldo documental às tratativas.

Relevância técnica e expectativa pública

"Carta ADC de Londrina atualmente"



    Do ponto de vista técnico, a implantação de uma nova taxiway em Londrina representa um passo estrutural para alinhar a capacidade em solo com a evolução operacional do aeroporto. Em consonância com os princípios do ICAO Doc 9859, qualquer melhoria que reduza carga de trabalho, tempo de ocupação de pista e complexidade do ambiente operacional contribui diretamente para a mitigação de riscos sistêmicos.

    A divulgação responsável dessas informações, com base em dados oficiais e normas técnicas, permite que a sociedade compreenda que a discussão sobre taxiways não se limita a obras de pavimentação, mas envolve segurança de voo, regularidade, eficiência econômica e previsibilidade operacional. Nesse sentido, a transparência institucional demonstrada pela resposta da Ouvidoria constitui elemento fundamental para o acompanhamento técnico e para o debate qualificado sobre o futuro do Aeroporto de Londrina.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Londrina avança no ILS e consolida projeto da nova taxiway do Aeroporto Governador José Richa

"Embraer E1 ERJ-195 taxiando no pátio do Aeroporto de Londrina".

    A Prefeitura de Londrina divulgou, por meio de reportagem assinada por Dayane Albuquerque no portal oficial do Município, avanços significativos na implantação do sistema de pouso por instrumentos ILS e no desenvolvimento do projeto da nova taxiway do Aeroporto Governador José Richa. A matéria registra que, segundo o prefeito Tiago Amaral, “o ILS é um marco para Londrina”, e a previsão é inaugurá-lo em 10 de dezembro, aniversário de 91 anos da cidade, como forma de entregar “um equipamento do tamanho que Londrina merece”.

    O texto relata que a reunião entre Prefeitura e Motiva ocorreu em formato híbrido, com a presença de secretarias municipais, da gerente do aeroporto, Daiane Persicotti, e da equipe técnica da concessionária. A publicação destaca um ponto central: a formalização da doação do projeto executivo da taxiway, elaborado com apoio do empresário Alfons Gardemann, proprietário da Pado, em parceria com a MSE Engenharia. A reportagem aponta que esta etapa viabiliza o próximo ciclo de investimentos e acelera o processo para futura licitação.

    De acordo com a notícia, a nova taxiway possui extensão aproximada de 2 km e representa investimento estimado entre 20 e 40 milhões de reais. O secretário de Recursos Humanos, Rodrigo Souza, citado diretamente na matéria, afirma que a sociedade “clama por um aeroporto que tenha menos atrasos” e que a taxiway resolverá gargalos operacionais, além de reduzir custos para as companhias aéreas. A reportagem também informa que o Município pretende assegurar recursos até abril de 2026 para então licitar a obra no primeiro semestre do próximo ano.

    A gerente do aeroporto, conforme publicado, enfatiza que “o cronograma e as obras seguem avançando” e que todas as adequações previstas para a Motiva foram concluídas. A matéria reforça que o ILS permitirá pousos seguros mesmo com tempo adverso, ampliando a eficiência das operações em Londrina.

    Conteúdo adaptado da notícia de Dayane Albuquerque, publicada no portal da Prefeitura de Londrina. Leia na íntegra em Blog Prefeitura de Londrina.