A infraestrutura de taxiamento constitui um dos elementos mais sensíveis da capacidade operacional de um aeroporto. Embora frequentemente menos visível ao público em geral do que pista ou terminal, a existência, o traçado e o posicionamento adequado das taxiways influenciam diretamente a segurança operacional, a fluidez do tráfego aéreo e a eficiência do uso da pista e do pátio.
No contexto do Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, a discussão sobre a implantação de uma nova taxiway ganha relevância estratégica em um momento de ampliação da complexidade operacional, com incremento de operações comerciais regulares, consolidação de procedimentos por instrumentos e aumento da exigência regulatória associada a aeródromos com aproximação IFR.
Taxiways e capacidade do sistema pista-pátio
Segundo o ICAO Annex 14 e o ICAO Doc 9157 Aerodrome Design Manual, a capacidade de uma pista não é determinada apenas pelo comprimento ou resistência do pavimento, mas pelo conjunto pista, taxiways e pátio de aeronaves. A ausência de taxiways paralelas ou de saídas rápidas eleva o tempo de ocupação da pista, reduz o número máximo de movimentos por hora e amplia a probabilidade de congestionamentos em solo.
O ICAO Doc 4444, ao tratar da gestão do tráfego aéreo em solo, reforça que a previsibilidade e a segregação adequada dos fluxos de taxiamento são fundamentais para reduzir risco de incursão em pista, otimizar separações e permitir maior regularidade operacional. Em aeroportos com operações comerciais e aviação geral compartilhando o mesmo sistema, a taxiway deixa de ser apenas um elemento de conveniência e passa a ser um fator crítico de segurança.
Do ponto de vista do pátio, a inexistência de taxiways eficientes pode gerar conflitos entre aeronaves em pushback, taxi e estacionamento, limitando a taxa de utilização simultânea das posições e impactando diretamente a capacidade do terminal, mesmo quando este possui áreas físicas disponíveis.
A manifestação à Prefeitura de Londrina e a resposta institucional
Diante desse cenário, o TMA Londrina encaminhou manifestação formal à Ouvidoria da Prefeitura do Município de Londrina, solicitando esclarecimentos técnicos e administrativos sobre o projeto da nova taxiway, reconhecendo sua relevância estrutural para o sítio aeroportuário e para o desenvolvimento regional.
A resposta oficial, registrada sob o número 4286/2025, esclarece que o projeto foi iniciado formalmente em 11 de dezembro de 2025, com prazo contratual de 60 dias para conclusão. A elaboração está sob responsabilidade da LMS & Associados – Projetos e Gerenciamento, empresa integrante do grupo MSE Engenharia.
O Município informou que o projeto ainda se encontra em desenvolvimento e que o grau de detalhamento eventualmente passível de divulgação será definido em momento posterior. Após a conclusão da fase de projeto, terá início a etapa de busca de recursos para viabilização da obra, cujas possibilidades jurídicas estão em discussão interna na administração municipal. A Prefeitura reafirma, por fim, que haverá esforço institucional para manter a previsão anteriormente divulgada, incluindo a perspectiva de assegurar recursos até abril de 2026 e avançar para a licitação no primeiro semestre do ano.
As informações constam do Processo nº 19.002.226167/2025-73, SEI nº 17342810, conferindo rastreabilidade administrativa e respaldo documental às tratativas.
Relevância técnica e expectativa pública
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| "Carta ADC de Londrina atualmente" |
Do ponto de vista técnico, a implantação de uma nova taxiway em Londrina representa um passo estrutural para alinhar a capacidade em solo com a evolução operacional do aeroporto. Em consonância com os princípios do ICAO Doc 9859, qualquer melhoria que reduza carga de trabalho, tempo de ocupação de pista e complexidade do ambiente operacional contribui diretamente para a mitigação de riscos sistêmicos.
A divulgação responsável dessas informações, com base em dados oficiais e normas técnicas, permite que a sociedade compreenda que a discussão sobre taxiways não se limita a obras de pavimentação, mas envolve segurança de voo, regularidade, eficiência econômica e previsibilidade operacional. Nesse sentido, a transparência institucional demonstrada pela resposta da Ouvidoria constitui elemento fundamental para o acompanhamento técnico e para o debate qualificado sobre o futuro do Aeroporto de Londrina.


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