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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Sistema de Luzes de Aproximação de Londrina é considerado adequado pela ANAC e segue para validação do GEIV

Imagem: Matheus Caravalho / LinkedIn.


    A Agência Nacional de Aviação Civil concluiu, por meio da Nota Técnica nº 415/2025, que o Sistema de Luzes de Aproximação, ALS, sigla para Approach Lighting System, instalado na cabeceira 31 do Aeroporto Governador José Richa, SBLO, em Londrina, atende aos requisitos do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil, RBAC 154 Emenda 08, dentro do escopo avaliado. O documento, inserido no processo 00058.034604/2025-51, analisa especificamente o ALS como parte da infraestrutura necessária para futuras operações por instrumentos de precisão Categoria I, CAT I, com o Sistema de Pouso por Instrumentos, ILS, Instrument Landing System.

"Requisito previsto no RBAC 153 o cumprimento de 900 metros de extensão do sistema ALS. Imagem: TMA Londrina / Google Earth"


    Segundo a análise, o sistema de luzes implantado possui 600 metros de extensão, abaixo dos 900 metros previstos no RBAC 154. Contudo, a área física disponível é limitada pela presença do antigo VOR LON (Londrina), sigla para VHF Omnidirectional Range, cuja zona de proteção impede uma extensão maior no momento. A Gerência de Certificação de Operações (GCOP), concordou com o comprimento atual e indicou que uma futura ampliação para até 750 metros poderá ser tratada por meio de um Compromisso de Ações Corretivas, CAC, caso o VOR seja desativado.

"Flashes ALSF2. Imagem: FAA"


    A Nota também reavaliou apontamentos feitos anteriormente. A ausência de luzes de flash nas barretas, inicialmente considerada uma não conformidade, foi aceita pela ANAC após análise da regulamentação aplicável. A agência considerou que a inoperância dessas luzes não altera os mínimos operacionais previstos na ICA 100-16, Instrução de Comando da Aeronáutica, e que, na área da cabeceira 31, não há interferência luminosa que prejudique a percepção visual do sistema.

    Outro ponto verificado foi a barra cruzada instalada a 300 metros da cabeceira. Embora a planta apresentada indicasse 28,5 metros de extensão, medições no local demonstraram que a barra possui 30 metros, atendendo ao requisito regulamentar. A concessionária também apresentou nova planta "as built", termo usado para indicar o registro final da obra executada, compatível com as imagens e com o padrão construtivo observado.

    Com todos os pontos reavaliados e considerados atendidos, a ANAC concluiu que não há impedimentos técnicos ou documentais para a emissão da Declaração de Conformidade Prévia de Instalação, DCPI, etapa que antecede a inspeção em voo pelo Grupo Especial de Inspeção em Voo, GEIV. A aprovação do ALS, portanto, representa um passo importante dentro do processo de implantação do ILS, embora outros elementos da infraestrutura ainda estejam sob análise em notas técnicas distintas.

Fonte:
SEI/ANAC Nota Técnica Nota Técnica nº 415/2025/OBRAS/GTEA/GCOP/SIA <acesse aqui>.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

ILS Categoria I em Londrina depende de correções após parecer técnico negativo da ANAC

    A Agência Nacional de Aviação Civil emitiu uma Nota Técnica que, por ora, impede o avanço da alteração cadastral necessária para homologar a operação por instrumentos de precisão Categoria I com ILS na cabeceira 31 do Aeroporto Governador José Richa, SBLO, em Londrina. O documento, analisado no âmbito do processo 00058.034604/2025-51, conclui que a infraestrutura atual não atende a requisitos obrigatórios do RBAC 154 e que ainda faltam informações essenciais por parte da operadora do terminal.

    Segundo o parecer técnico, embora o processo original tratasse apenas da implantação do Sistema de Luzes de Aproximação, ALS, o operador informou que a instalação do Localizer e do Glide Slope está em andamento sob responsabilidade da CISCEA e que, após a inspeção do GEIV, a pista passaria a operar como IFR de precisão Categoria I. Com isso, a ANAC ampliou a avaliação para todos os requisitos necessários à homologação do ILS, além das luzes de aproximação.

Luzes de cabeceira (cabeceira 31), configuração apresentada no processo 00058.016986/2024-50



    A análise identificou uma não conformidade relevante na configuração das luzes da cabeceira 31. De acordo com a Nota, o conjunto instalado e apresentado no processo não atende ao requisito 154.305 do RBAC 154, que estabelece o número e a distribuição mínima de luzes de cabeceira para aproximações de precisão. A configuração atual utiliza dez (10) luzes alinhadas ao eixo e barras laterais que não suprem as exigências da regulamentação. 

RBAC nº154 – 154.305 (q) (2) (iii) (B) – “em uma pista de aproximação de precisão Categoria I, em, no mínimo, o número de luzes que seria necessário se as luzes fossem distribuídas uniformemente em intervalos de 3 metros, entre as fileiras de luzes de borda de pista de pouso e decolagem”.


    Além da falha já constatada, a Nota Técnica destaca que diversos itens não puderam ser avaliados por falta de documentação. Entre eles, a possível necessidade de posição de espera padrão B, ajustes nas posições de espera existentes, implantação de sinalização vertical específica para Categoria I, análise de interferências na área crítica e sensível do ILS e verificação da necessidade de luzes de proteção de pista, que dependem da classificação de densidade de tráfego. Também falta a apresentação da Deliberação favorável do COMAER, obrigatória para alterações cadastrais desse tipo.

Posição de espera de via de serviço a 75m do eixo da pista de pouso e decolagem

    Permanecem pendentes de comprovação a eventual necessidade de implantação de posição de espera padrão B, com sua correspondente sinalização vertical específica para Categoria I, bem como a implantação da sinalização vertical de pista livre. Também não foi possível confirmar se as posições de espera padrão A das taxiways A e B atendem aos critérios do RBAC 154, sobretudo quanto à garantia de que aeronaves e veículos em espera não interfiram na OFZ, nas superfícies de aproximação e saída, nem nas áreas crítica e sensível do ILS. Para esses itens, o operador deve apresentar plantas as built contendo os limites dessas áreas, bem como eventuais ajustes já executados. Além disso, permanece sem análise a adequação da posição de espera da via de serviço proveniente de SCI, situada a aproximadamente 75 metros do eixo da pista, cuja conformidade depende dos requisitos previstos nos parágrafos 154.223(a)(5) e 154.223(b)(1).

Para que a via da SCI esteja conforme:
154.223(a)(5) exige que exista uma posição de espera implantada na via, antes da pista.
154.223(b)(1) exige que essa posição de espera esteja a pelo menos 90 metros do eixo da pista (para ILS Cat I, código 4), salvo ajustes específicos justificados sem infringir a transição interna e áreas críticas/sensíveis.


    Diante das lacunas e da não conformidade já identificada, o parecer conclui de forma desfavorável ao pedido de alteração cadastral. Deve haver plantas as built, perfis topográficos e limites das áreas crítica e sensível do ILS definidos, para que a ANAC possa verificar a conformidade. O documento recomenda que a ANAC notifique a operadora do aeroporto para complementar as informações e corrigir as inadequações antes que a análise para homologação do ILS Categoria I possa ser retomada.

Fonte:
SEI-ANAC – Protocolo Eletrônico da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Londrina avança no ILS e consolida projeto da nova taxiway do Aeroporto Governador José Richa

"Embraer E1 ERJ-195 taxiando no pátio do Aeroporto de Londrina".

    A Prefeitura de Londrina divulgou, por meio de reportagem assinada por Dayane Albuquerque no portal oficial do Município, avanços significativos na implantação do sistema de pouso por instrumentos ILS e no desenvolvimento do projeto da nova taxiway do Aeroporto Governador José Richa. A matéria registra que, segundo o prefeito Tiago Amaral, “o ILS é um marco para Londrina”, e a previsão é inaugurá-lo em 10 de dezembro, aniversário de 91 anos da cidade, como forma de entregar “um equipamento do tamanho que Londrina merece”.

    O texto relata que a reunião entre Prefeitura e Motiva ocorreu em formato híbrido, com a presença de secretarias municipais, da gerente do aeroporto, Daiane Persicotti, e da equipe técnica da concessionária. A publicação destaca um ponto central: a formalização da doação do projeto executivo da taxiway, elaborado com apoio do empresário Alfons Gardemann, proprietário da Pado, em parceria com a MSE Engenharia. A reportagem aponta que esta etapa viabiliza o próximo ciclo de investimentos e acelera o processo para futura licitação.

    De acordo com a notícia, a nova taxiway possui extensão aproximada de 2 km e representa investimento estimado entre 20 e 40 milhões de reais. O secretário de Recursos Humanos, Rodrigo Souza, citado diretamente na matéria, afirma que a sociedade “clama por um aeroporto que tenha menos atrasos” e que a taxiway resolverá gargalos operacionais, além de reduzir custos para as companhias aéreas. A reportagem também informa que o Município pretende assegurar recursos até abril de 2026 para então licitar a obra no primeiro semestre do próximo ano.

    A gerente do aeroporto, conforme publicado, enfatiza que “o cronograma e as obras seguem avançando” e que todas as adequações previstas para a Motiva foram concluídas. A matéria reforça que o ILS permitirá pousos seguros mesmo com tempo adverso, ampliando a eficiência das operações em Londrina.

    Conteúdo adaptado da notícia de Dayane Albuquerque, publicada no portal da Prefeitura de Londrina. Leia na íntegra em Blog Prefeitura de Londrina.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Instalação do ILS no Aeroporto de Londrina: Qual o andamento do processo de homologação com a ANAC?

"SEI - Sistema Eletrônico de Informação. Imagem: Governo Federal/Brasil"
 
 
    O TMA Londrina realizou consulta direta ao protocolo SEI-ANAC, sistema eletrônico oficial por meio do qual empresas, cidadãos e pilotos interagem com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O processo, de acesso público e irrestrito, trata do andamento da homologação do sistema ILS, que integra o ALS. A ANAC apontou inconsistências de infraestrutura que podem impactar as datas previstas para teste e homologação.

Contexto geral e escopo analisado


"GIF animado com os flashes do sistema ALS. Imagem: Google"
 
 
    A documentação demonstra que o processo 00058.034604/2025-51 trata, neste momento, da implantação e homologação do Sistema de Luzes de Aproximação na cabeceira 31, componente visual que integra o conjunto de auxílios de aproximação por instrumentos, e não da homologação integral do aeródromo para operação IFR de Precisão Categoria I, que demandará etapas próprias e evidências adicionais. A própria Nota Técnica 371 esclarece que o escopo em análise é o ALS da 31 e distingue este objeto do cadastramento IFR CAT I, a ser verificado oportunamente.

Principais apontamentos técnicos da ANAC

"Comprimento ALS e VOR face oeste do Aeroporto de Londrina. Imagem: TMA Londrina / Google Earth"


    A análise técnica da Agência identificou duas não conformidades centrais que impedem, por ora, o deferimento automático do pleito. A primeira é o comprimento do ALS instalado, hoje com 600 metros a partir da cabeceira 31, inferior ao referencial de 900 metros previsto no RBAC 154 quando tecnicamente possível. 
 
 
"Requisito previsto no RBAC 153 o cumprimento de 900 metros de extensão do sistema ALS. Imagem: TMA Londrina / Google Earth"


 
    A segunda é a ausência de luzes com flashes complementando as barretas do eixo, requisito que pode ser afastado apenas mediante justificativa técnica aderente às características do sistema e às condições meteorológicas do aeródromo, o que ainda não foi apresentado.

"Flashes ALSF2. Imagem: FAA"


Evolução procedimental recente

    Em 22 de agosto de 2025, a ANAC oficiou o operador solicitando confirmação sobre a existência de flashes, a frequência de piscadas e a intensidade luminosa, além de cobrar demonstração de que o comprimento do ALS foi estendido ao máximo tecnicamente possível, inclusive com manifestação do Comando da Aeronáutica sobre a limitação imposta pelo equimaneto VOR existente. O mesmo ofício registra que a planta enviada indica 600 metros de extensão e relembra o parâmetro de 900 metros, quando viável.


"Recorte do Parecer Técnico 371. Imagem: TMA Londrina/SEI-ANAC". 
 
    Em 6 de outubro de 2025, novo ofício consolidou as não conformidades impeditivas ao deferimento, reiterou a necessidade de detalhamento “as built” da barra cruzada a 300 metros, do espaçamento das luzes nas barretas e orientou quanto à submissão prévia do MOPS para qualquer alteração de especificação operativa do aeroporto.

Parecer técnico e posição gerencial subsequente

    Em 1º de outubro de 2025, a Nota Técnica 371 concluiu por parecer desfavorável à emissão da DCPI para o ALS atualmente implantado, ante as não conformidades e lacunas de evidência.

    Em 9 de outubro de 2025, despacho da Gerência de Certificação e Segurança Operacional registrou “de acordo” à homologação do ALS com 600 metros, diante de limitação física do sítio, encaminhando à GTOP a possibilidade de formalização de um Compromisso de Ações Corretivas para extensão futura, caso se concretize a desativação e retirada do D-VOR. O mesmo despacho admite, condicionadamente, a aceitação de 750 metros como extensão final máxima, alinhada aos limites do sítio aeroportuário, e recomenda tratar o tema em instrumento normativo específico.

Extensão do ALS, condicionantes e caminho regulatório

Nenhuma descrição de foto disponível.
" VOR Londrina VOR LON 112.400Mhz atualmente inoperate. Imagem: Luiz Carlos Porto"

 

    O operador informou à ANAC que, havendo a desativação do VOR, poderia estender o ALS em 150 metros, totalizando 750 metros, ainda assim aquém dos 900 metros previstos quando possível, razão pela qual a Nota Técnica sugeriu consulta às instâncias superiores sobre o tratamento por CAC.

Obras, mitigação de riscos e janelas operacionais

  
"Teste das luzes do ALS no Aeroporto de Londirna. Imagem: Matheus Carvalho/LinkedIn"

A AISO da fase de ampliação relocalizou PAPI da 31, implantou infraestrutura elétrica e física para o ALS e estruturou controles do SGSO, com medidas de mitigação, briefings, fiscalização e janelas de interdição publicadas por NOTAM, entre 9 de abril e 30 de junho de 2025, no período noturno, para execução segura dos serviços.

Cronograma operacional do ILS e etapas finais

Força Aérea Brasileira 🇧🇷 (@fab_oficial) / X
"Força Aérea Brasileira – FAB. Imagem: FAB".

 

    Segundo resposta oficial da Aeronáutica ao TMA Londrina, o equipamento ILS destinado a Londrina foi adquirido, encontra-se em processo de entrega no Brasil e não houve remanejamento de outras praças. O cronograma apontado prevê infraestrutura para o ILS entre 20 de julho e 22 de setembro, montagem entre 12 de outubro e 8 de novembro, testes em sítio de 9 a 15 de novembro, voo de homologação de 16 a 22 de novembro e inauguração em 10 de dezembro de 2025. A implementação do Localizer e do Glide Slope é conduzida pela CISCEA e o voo do GEIV é a etapa subsequente, na sequência do cronograma. [informação fornecida pelo CECOMSAER ao TMA Londrina].

O que falta para a liberação operacional

    Para a homologação do ALS com 600 metros, conforme admitido no despacho gerencial, permanecem pendentes a solução para as luzes com flashes ou a apresentação de justificativa técnica robusta para dispensa, o envio do detalhamento “as built” que permita verificar a barra cruzada e o espaçamento das barretas, além das tratativas formais de CAC para eventual extensão futura.

Síntese para o leitor especializado

    Em termos práticos, o ALS da 31 está fisicamente implantado com 600 metros, carece de solução técnica para os flashes e de complementação documental, e poderá ter sua extensão elevada a 750 metros se confirmada a retirada do VOR, em regime de compromisso corretivo. A ANAC distinguiu o escopo do ALS do cadastramento IFR CAT I e, mesmo com parecer técnico inicialmente desfavorável à DCPI, há alinhamento gerencial para viabilizar a homologação condicionada e a continuidade do processo, desde que cumpridas as exigências técnicas e procedimentais.

Próximos marcos

Inspeções são muito importantes para a segurança das operações aéreas - Divulgação FAB
"Voo de teste pelo GEIV. Imagme: Divulgação FAB".

  

    Com a entrega e instalação do ILS pela CISCEA dentro do calendário informado e a realização do voo do GEIV, a etapa visual do ALS precisará estar regularizada nos termos da ANAC, inclusive com eventuais condicionantes em CAC. Para alterações de especificação operativa, o MOPS deverá ser submetido previamente à Agência, conforme orientação expressa.

Conclusão

    O processo de homologação do ILS de Londrina avança, sustentado por obras concluídas de suporte ao ALS e por um cronograma operacional definido pelas autoridades aeronáuticas. A ANAC, por sua vez, exige aderência estrita ao RBAC 154 para o ALS, prioriza evidências técnicas e sinaliza uma solução de compromisso para limitações físicas do sítio, sem afastar a possibilidade de extensão futura condicionada à retirada do D-VOR.

Siglas e Reduções

  • ALS – Approach Lighting System – Sistema de Luzes de Aproximação instalado no prolongamento da cabeceira da pista, fornecendo referência visual ao piloto durante a fase final da aproximação por instrumentos.
  • ILS – Instrument Landing System – Sistema de Pouso por Instrumentos composto por subsistemas de Localizer, Glide Slope e ALS, que orienta a aeronave na trajetória ideal de pouso, tanto lateral quanto verticalmente.
  • LOC – Localizer – Subsistema do ILS que fornece orientação lateral para o alinhamento da aeronave com o eixo da pista durante a aproximação.
  • GS – Glide Slope – Subsistema do ILS que fornece orientação vertical, guiando o piloto no ângulo correto de descida até o toque na pista.
  • RWY – Runway – Pista de pouso e decolagem de um aeródromo, identificada por números correspondentes à sua direção magnética aproximada.
  • THR – Threshold – Cabeceira da pista, ponto inicial utilizável para o pouso de uma aeronave.
  • PAPI – Precision Approach Path Indicator – Sistema de luzes laterais à pista que indica ao piloto se a aeronave está na trajetória ideal de planeio, acima ou abaixo dela.
  • VOR/DVOR – VHF Omnidirectional Range / Doppler VOR – Auxílio à navegação por rádio que fornece orientação azimutal; o DVOR é uma versão aprimorada com maior estabilidade e menor interferência.
  • NDB – Non-Directional Beacon – Rádio farol não direcional que fornece informações de proa através de um sinal de baixa frequência, utilizado em procedimentos de não precisão.
  • CAT I – Category I – Categoria de operação IFR de precisão que permite pousos com teto mínimo de 200 pés e visibilidade mínima de 550 metros.
  • RBAC – Regulamento Brasileiro da Aviação Civil – Conjunto de normas técnicas emitidas pela ANAC. O RBAC nº 154 estabelece os requisitos para projeto e operação de infraestrutura aeroportuária.
  • DCPI – Declaração de Conformidade Prévia de Instalação – Documento emitido pela ANAC atestando que determinada instalação aeroportuária cumpre os requisitos técnicos prévios à homologação.
  • GEIV – Grupo Especial de Inspeção em Voo – Unidade da Força Aérea Brasileira responsável por inspecionar, calibrar e homologar auxílios à navegação aérea por meio de voos de ensaio.
  • CISCEA – Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo – Órgão do Comando da Aeronáutica encarregado de planejar, adquirir e instalar equipamentos de navegação e controle de tráfego aéreo.
  • COMAER – Comando da Aeronáutica – Autoridade militar subordinada ao Ministério da Defesa responsável pela estrutura e operação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro.
  • NAV Brasil – NAV Brasil Serviços de Navegação Aérea S.A. – Empresa pública federal responsável pela operação e manutenção dos auxílios à navegação aérea e pela infraestrutura do espaço aéreo civil.
  • DECEA – Departamento de Controle do Espaço Aéreo – Órgão do Comando da Aeronáutica que coordena e garante a segurança do espaço aéreo brasileiro.
  • CECOMSAER – Centro de Comunicação Social da Aeronáutica – Unidade do Comando da Aeronáutica responsável pela divulgação institucional e comunicação oficial com a imprensa e a sociedade civil.
  • ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil – Autoridade de aviação civil responsável pela regulação, fiscalização e certificação da aviação no Brasil.
  • SIA – Superintendência de Infraestrutura Aeroportuária – Superintendência da ANAC que coordena as atividades de obras, engenharia e certificação de aeródromos.
  • GTEA – Gerência Técnica de Engenharia Aeroportuária – Unidade técnica da ANAC responsável pela análise de projetos e obras de engenharia em aeródromos.
  • GTOP – Gerência Técnica de Infraestrutura e Operações Aeroportuárias – Divisão técnica da ANAC responsável pela supervisão das operações aeroportuárias e das condições físicas de pistas, pátios e auxílios visuais.
  • GCOP – Gerência de Certificação e Operações de Aeródromos – Unidade da ANAC responsável pela certificação e alteração cadastral de aeródromos.
  • GCAC – Gerência de Certificação e Acompanhamento de Conformidade – Setor técnico da ANAC responsável por verificar o cumprimento dos requisitos técnicos e legais nos processos de certificação.
  • OBRAS – Gerência de Obras e Projetos – Setor técnico da ANAC vinculado à SIA, responsável pela avaliação de projetos e acompanhamento de obras de infraestrutura aeroportuária.
  • SPO – Superintendência de Padrões Operacionais – Superintendência da ANAC voltada ao estabelecimento e controle dos padrões de segurança e conformidade operacional dos aeródromos.
  • MOPS – Manual de Operações do Aeródromo – Documento elaborado pelo operador do aeródromo que descreve os procedimentos de operação, segurança, infraestrutura e manutenção, devendo ser aprovado pela ANAC.
  • SGSO – Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional – Estrutura organizacional e conjunto de processos adotados para identificar perigos, avaliar riscos e garantir níveis aceitáveis de segurança operacional.
  • AISO – Autorização de Início de Serviço ou Obra – Documento formal do operador aeroportuário que autoriza o início de obras ou intervenções em áreas operacionais.
  • NOTAM – Notice to Airmen / Notice to Air Missions – Aviso aeronáutico que informa sobre mudanças temporárias ou permanentes que afetam as operações aéreas e a segurança de voo.
  • SISCEAB – Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro – Estrutura integrada que reúne os órgãos e meios do COMAER responsáveis pela gestão e segurança do espaço aéreo.
  • CAC – Compromisso de Ações Corretivas – Instrumento administrativo firmado entre a ANAC e o operador aeroportuário para correção de não conformidades técnicas dentro de um prazo determinado.
  • ART – Anotação de Responsabilidade Técnica – Registro emitido pelo CREA que identifica o responsável técnico por determinada obra, serviço ou projeto de engenharia.
  • SEI – Sistema Eletrônico de Informações – Plataforma oficial utilizada pela ANAC e demais órgãos públicos para tramitação eletrônica de processos administrativos.
  • SBLO – Aeródromo Governador José Richa – Código ICAO que identifica o Aeroporto de Londrina, no Paraná.
  • LDB – Londrina – Abreviação comum utilizada em comunicações e documentação aeronáutica para se referir à localidade do aeródromo SBLO.
  • TMA – Terminal Control Area – Área de Controle Terminal, espaço aéreo controlado onde são coordenadas as operações de chegada e saída de aeronaves em um ou mais aeroportos próximos.
  • IFR – Instrument Flight Rules – Regras de voo por instrumentos, aplicadas quando a visibilidade ou as condições meteorológicas não permitem voo visual.
  • NPA – Non Precision Approach – Aproximação por instrumentos sem orientação vertical (sem Glide Slope), normalmente guiada por auxílios como VOR ou NDB.
  • SGA – Sistema de Gerenciamento Aeroportuário – Conjunto de processos administrativos e operacionais utilizados pelo operador para controle de atividades, manutenção e conformidade.

Documentos citados, de acesso público via SEI-ANAC:

  • Ofício nº 574, de 22 de agosto de 2025.
  • SEI_ANAC - 11960510 - Ofício.
  • Nota Técnica nº 371, de 1º de outubro de 2025.
  • SEI_ANAC - 12103361 - Nota Técnica 371.
  • Ofício nº 740, de 6 de outubro de 2025.
  • SEI_ANAC - 12109491 - Ofício.
  • Despacho GCOP, de 9 de outubro de 2025.
  • SEI_ANAC - 12180191 - Despacho.
  • AISO, obras fase I-B e implantação do ALS, com janelas NOTAM e medidas SGSO.
  • Processo SEI-ANAC:  00058.034604/2025-51.
    Acesso direto ao Parecer Técnico 371: Clique aqui.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Plane Spotting em Londrina: Paixão, Cuidados e Guia para Fotografar Aeronaves

Spotter Day realizado pela Infraero em Londrina

    Você provavelmente já ouviu falar – ou leu algo – sobre o Plane Spotting, atividade que consiste na fotografia amadora ou profissional de aeronaves, tanto em solo quanto em voo.

    Trata-se de uma prática comum entre entusiastas da aviação, verdadeiros apaixonados que utilizam desde simples celulares até câmeras profissionais DSLR com lentes objetivas milimétricas para registrar o movimento das aeronaves.

    Não se sabe ao certo quando essa atividade surgiu, mas o fascínio pela aviação remonta às origens do voo humano, desde os aeróstatos (máquinas mais leves que o ar, como os balões) até os primeiros aeródinos (aeronaves mais pesadas que o ar, como aviões de asa fixa). É raro encontrar um brasileiro que não tenha visto a icônica imagem de Santos Dumont decolando com o 14-Bis no Campo de Bagatelle, em Paris – França. Mais do que uma fotografia histórica, aquele registro eterniza o primeiro voo oficial e documentado de uma aeronave com propulsão própria, em contraste com os voos secretos dos irmãos Wright. Enquanto os norte-americanos mantinham seus experimentos sob sigilo, Santos Dumont projetava, construía e demonstrava publicamente suas invenções.

    Durante a Segunda Guerra Mundial, o Plane Spotting ganhou importância estratégica: civis eram recrutados para observar os céus e alertar sobre possíveis ataques aéreos. Hoje, a atividade é um hobby difundido mundialmente, com locais próprios para fotografia dentro de aeroportos em diversos países europeus.

    No Brasil, no entanto, o Plane Spotting ainda enfrenta preconceitos. Muitas vezes, os praticantes são alvo de piadas e estereótipos negativos nas redes sociais e pela mídia, sendo vistos como “nerds desocupados”. Esse estigma, infelizmente, remonta à busologia – o estudo e fotografia de ônibus –, que também sofre discriminação similar. Trata-se de um julgamento injusto: fotografar aeronaves (ou veículos em geral) exige técnica, paciência, conhecimento e verdadeira paixão.

    A fotografia, afinal, é uma ferramenta que eterniza momentos e aproxima os sonhadores de seus objetos de admiração. Qualquer pessoa pode começar, e aprender é relativamente fácil. É claro que, com o tempo, o spotter que desejar se aprofundar deve estudar técnicas fotográficas e se afastar do modo automático das câmeras para obter registros mais refinados.

    A seguir, preparamos algumas dicas e cuidados essenciais para quem deseja iniciar ou aprimorar sua experiência com o Plane Spotting:

  • DICA 1: CUIDE DA SUA SAÚDE

    Embora Londrina já tenha tido névoas características que lembravam o "fog" europeu (e que inspiraram o nome da cidade), hoje o clima é predominantemente quente e seco. Portanto:

      • Use protetor solar, óculos escuros, roupas leves de manga longa, calça jeans, tênis e boné.
      • Hidrate-se com frequência para evitar insolação.
      • Leve repelente para afastar mosquitos e fique atento a animais peçonhentos.
      • Ao fotografar em cercas ou alambrados, tome cuidado com arames farpados e serpentinas.
  • DICA 2: CUIDE DA SUA SEGURANÇA

    Esteja sempre atento ao redor. Evite estar sozinho e mantenha o celular por perto, mas discreto.

  • Planeje uma rota de fuga, caso perceba perigo iminente.
  • Nunca reaja a assaltos. Nenhum equipamento vale mais do que sua vida.

  • DICA 3: ESTUDE SEMPRE

    Conhecimento é essencial. Na aviação há um ditado: "Na vida, quanto mais se vive, mais se aprende. Na aviação, quanto mais se aprende, mais se vive."

    Mesmo que os riscos do Plane Spotting sejam menores, leve esse ensinamento como incentivo. Pesquise, pergunte, tire dúvidas e compartilhe aprendizados.

  • DICA 4: CUIDE DO SEU EQUIPAMENTO

    Zele por sua câmera e acessórios. Aprender sobre fotografia aumenta a durabilidade dos equipamentos e melhora significativamente seus registros. Estude técnicas específicas de fotografia aeronáutica.

  • DICA 5: PLANEJE SEUS CLIQUES

    Tenha em mãos a tabela de horários dos voos comerciais (disponíveis em sites oficiais).

    Lembre-se de que Londrina possui intensa atividade de aviação geral e um dos aeroclubes mais antigos do país – há movimento quase o dia todo.

PONTOS DE OBSERVAÇÃO NO AEROPORTO DE LONDRINA

    Com a concessão do Aeroporto Governador José Richa à iniciativa privada (CCR Aeroportos, hoje Grupo MOTIVA), houve a modernização do cercamento patrimonial. Os antigos pontos clássicos de observação, utilizados por décadas, foram em sua maioria eliminados.

    Atualmente, resta apenas um ponto com visibilidade considerável da pista, mas com luz desfavorável em praticamente todo o dia devido à presença de backlight (iluminação contrária ao objeto).

    Abaixo, elencamos os pontos atuais de observação – com mapa ilustrativo e legenda por cores (verde, amarelo e vermelho), indicando os níveis de risco de cada local:

Mapa dos pontos de plane spotting no Aeroporto de Londrina [07/07/2025].


  • PONTO 01 – BOMBEIROS (SCI do Aeroporto)
Segurança: Alta (risco de assaltos).
Fluxo: Veículos – médio; Pessoas – médio.
Localização: Rua José Vitachi Filho, 90–178 – Monte Carlo.
Coordenadas: -23.336115, -51.128303
Comentário: Melhor ponto atual para observação dos pousos nas pistas 13 e 31. No entanto, é ruim para fotografia por conta da luz contrária em todas as épocas do ano.

PONTO 01: Bombeiros SCI.

PONTO 01: Bombeiros SCI (noite).

PONTO 01: Bombeiros SCI (vista do aeroporto de Londrina com ampliação).

PONTO 01: Bombeiros SCI (vista da aeronave na pista).
  • PONTO 02 – GIRO DE 180º (Cabeceira 31)
Segurança: Alta (risco de assaltos).
Fluxo: Veículos – alto; Pessoas – baixo.
Localização: Estr. Maj. Archiles Pimpão (frente à ACEL – Vale Verde).
Coordenadas: -23.338759, -51.119865
Comentário: Ideal para observar o giro de 180º (backtrack). Fotografar é desafiador devido à iluminação contrária o dia todo.

PONTO 02: Área onde geralmente as aeronaves fazem backtrack para retornar/alinhar na pista 31.


  • PONTO 03 – PANORAMA DO AEROPORTO

Segurança: Alta (risco de assaltos).
Fluxo: Veículos – alto; Pessoas – baixo.
Localização: Estr. Maj. Archiles Pimpão (sentido Estrada do Limoeiro).
Coordenadas: -23.340423, -51.114983.
Comentário: Similar ao Ponto 2, oferece boa vista para observação, mas fotos sofrem com backlight constante.

PONTO 03: Panorama do Aeroporto.


PONTO 03: Panorama do Aeroporto - Visão da pista de pousos e decolagens de Londrina.


PONTO 03: Vista da aeronave na curta final da pista 31.


  • PONTO 04 – ESQUINA DO ESTACIONAMENTO DO AEROPORTO
Segurança: Baixo risco.
Fluxo: Veículos – alto; Pessoas – médio.
Localização: Rua Ten. João Maurício Medeiros (esquina com estacionamento).
Coordenadas: -23.328596, -51.136791
Comentário: Apenas os portões 1 e 2 são parcialmente visíveis. Vários obstáculos comprometem a fotografia. É local monitorado por câmeras.

PONTO 04: Esquina do Estacionamento do Aeroporto
(visão para as posições 1 e 2 do pátio novo).


  • PONTO 05 – PRAÇA NA CABECEIRA 13
Segurança: Alto risco (próximo a ponto de venda de drogas).
Fluxo: Veículos – médio; Pessoas – baixo.
Localização: Rua Cmte. Pedro Bortoloto, 252–181 – Santos Dumont.
Coordenadas: -23.329543, -51.141433
Comentário: Antigamente o melhor local para observação. Hoje, cercado, com acesso restrito e visibilidade prejudicada por obstáculos e edificações.


PONTO 05: Rua da praça da cabeceira 13, trajetória relativa da aeronave para pouso.


PONTO 05: DeHavilland DHC-6-300 LV-LSI na curta final para pouso na RWY 13.

  • PONTO 06 – RUA DA AERONÁUTICA
Segurança: Alto risco (marginal de via expressa).
Fluxo: Veículos – médio; Pessoas – baixo.
Localização: Rua da Aeronáutica, 653–565 – Caravelle.
Coordenadas: -23.325921, -51.146270
Comentário: Apesar do risco, é um dos melhores para fotografias na final da pista 13, com boa iluminação no inverno.

PONTO 06: Rua da Aeronáutica.

PONTO 06: Boeing 737 Max 8 PR-XMW na final da pista 13.

NOTA IMPORTANTE: independentemente do ponto escolhido, nunca vá sozinho. Mantenha-se atento, evite distrações e sempre priorize sua segurança.

Agradecimentos especiais ao Wilson Júnior, autor do LDB Spotter, pela amizade e colaboração no compartilhamento de informações sobre Plane Spotting ao longo das últimas décadas.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

O que aconteceu com as taxiways de Londrina? A pista foi ampliada, mas não houve grande mudança, por que isso aconteceu?

    Uma pergunta frequente é: o que aconteceu com as taxiways, as áreas de movimentação de aeronaves que conectam a pista principal (13/31) às demais áreas do Aeroporto de Londrina?

IMAGEM 1: Overview do antigo dimensionamento de pistas e vias do SBLO/LDB

    Elas foram descomissionadas! Ou seja, não existem mais da maneira como existiam no Aeroporto Governador José Richa.

    A desativação das taxiways antigas faz parte do projeto de ampliação e expansão do aeroporto de Londrina, que apresentava um problema crucial para a implementação do ILS (Instrument Landing System): a proximidade das taxiways com a pista, em desacordo com a legislação aeronáutica brasileira.

IMAGEM 2: Desenho das atuais taxiways do SBLO/LDB em 2025.

    Quanto à separação entre os eixos de pista e taxiway paralelas, pelas normas da ICAO/OACI deve-se levar em consideração os seguintes fatores, de modo a proteger a área de segurança das pistas e a zona livre de obstáculos/objetos das faixas de pista:

(i) possibilidade das aeronaves aguardarem entre a pista e a taxiway;

(ii) interferência sobre o ILS – Instrument Landing System (sistema de pouso por instrumentos para operações de visibilidade reduzida);

(iii) existência de taxiway de saída rápida;

e (iv) possibilidade de as aeronaves manobrarem entre a pista e a taxiway paralela.

    A ICAO/OACI, ainda, preconiza que um estudo aeronáutico deve ser conduzido quando não for técnica e operacionalmente possível atender aos requisitos recomendados.

    Vamos entender, então, de maneira mais objetiva o conhecimento técnico para entender os termos e normas aqui explicados.

Organização Internacional de Aviação Civil - International Civil Aviation Organization (ICAO)


IMAGEM 3: ICAO/OACI - Organização de Aviação Civil Internacional


    A Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), ou ICAO (International Civil Aviation Organization) em inglês, é uma agência especializada das Nações Unidas criada em 1944, durante a Convenção de Chicago, com o objetivo de promover o desenvolvimento seguro e ordenado da aviação civil mundial. Ela iniciou suas atividades em 1947 e possui sede em Montreal, Canadá.

    A ICAO estabelece normas e práticas recomendadas (SARPs) que abrangem diversos aspectos da aviação, desde operações de aeronaves e licenciamento de pessoal até a infraestrutura aeroportuária. Um dos seus principais focos é a padronização, crucial para garantir a interoperabilidade e a segurança das operações internacionais.

    Os anexos da ICAO são documentos que contêm essas normas e práticas. Embora existam diversos anexos que cobrem uma ampla gama de tópicos, alguns se destacam quando falamos de padronização de aeroportos:

Anexo 14 – Aeródromos: Este anexo é dedicado aos aeródromos, incluindo o projeto, as operações e os auxílios visuais. Ele especifica padrões para pistas, taxiways, sinalização, iluminação e outros elementos essenciais para a segurança das operações em aeroportos.

    A ICAO desempenha um papel vital na harmonização das práticas da aviação civil em todo o mundo, contribuindo para um sistema de transporte aéreo mais seguro, eficiente e sustentável.

Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)

IMAGEM 4: Agência Nacional de Aviação Civil

    A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) é uma autarquia federal brasileira criada em 2005, com o objetivo de regular e fiscalizar a aviação civil no Brasil, garantindo a segurança e a eficiência do setor. Ela substituiu o Departamento de Aviação Civil (DAC), herdando suas atribuições. A ANAC iniciou suas atividades em 2006.

    A ANAC tem como missão regular e supervisionar as atividades da aviação civil, abrangendo desde a certificação de aeronaves e operadores aéreos até a fiscalização da infraestrutura aeroportuária.

    Embora a ANAC não crie anexos como a ICAO, ela se baseia nos padrões internacionais estabelecidos por esta última para criar suas próprias regulamentações, materializadas nos Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil (RBAC). No contexto da padronização de aeroportos, destacam-se:

IMAGEM 5: Capa RBAC nº 139


RBAC nº 139 – Certificação Operacional de Aeroportos: Este regulamento estabelece os requisitos para a certificação e operação de aeroportos no Brasil, incluindo critérios para infraestrutura, segurança operacional, gestão da segurança e outros aspectos importantes para garantir a segurança das operações aeroportuárias. Ele se alinha com as normas e práticas recomendadas do Anexo 14 da ICAO.

Além do RBAC 139, outros regulamentos e normas complementam as diretrizes para aeroportos, abordando temas como:

RBAC nº 153 – Segurança da Aviação Civil contra Atos de Interferência Ilícita: Trata da segurança contra atos ilícitos, como terrorismo e sequestro de aeronaves.
 
RBAC nº 154 – Operações de Aeródromos: Aborda aspectos operacionais dos aeródromos, como gerenciamento de fauna e operações em condições meteorológicas adversas.

 RBAC nº 156 – Segurança Operacional em Aeroportos: Trata da segurança operacional em aeroportos, complementando o RBAC 139 com foco na prevenção de acidentes e incidentes.

 

Elementos da área de um aeródromo

IMAGEM 6: Lado Ar e Lado Terra, fonte: ANAC.



LADO AR

IMAGEM 7: Lado AR - Fonte: ANAC

Pista de Pouso e Decolagem (Pista):

IMAGEM 8: Pista de Pouso e Decolagem de Londrina.

A pista é a área retangular pavimentada onde as aeronaves pousam e decolam. Suas características principais incluem:

Comprimento e Largura: Variam de acordo com o tipo de aeronave que o aeroporto opera. Aeronaves maiores precisam de pistas mais longas para atingir a velocidade necessária para a decolagem ou para desacelerar após o pouso.

Pavimento: Geralmente é feito de concreto asfáltico ou concreto de cimento Portland, materiais resistentes para suportar o peso das aeronaves.

Sinalização: Possui marcações e sinalizações que auxiliam os pilotos durante o pouso e a decolagem, indicando o centro da pista, as zonas de toque e outras informações importantes.

Orientação: A orientação da pista é definida pela direção predominante dos ventos e expressa em números que correspondem ao azimute magnético (direção em graus em relação ao Norte Magnético). Por exemplo, a pista 13/31 indica uma orientação aproximada de 130º e 310º em relação ao Norte Magnético.

Taxiways (Pistas de Taxiamento):

IMAGEM 9: Novo pátio e taxiways do Aeroporto de Londrina - Fonte: Piloto Anônimo

As taxiways são como "ruas" dentro do aeroporto, conectando as pistas aos pátios de estacionamento e outros locais. Suas características incluem:

Largura: Projetada para acomodar a envergadura das aeronaves que operam no aeroporto.

Sinalização: Possuem sinalização própria para orientar os pilotos durante o taxiamento, incluindo linhas amarelas que indicam o centro da taxiway e placas com informações de direção.

Conexões: Conectam a pista aos pátios, hangares e outros locais do aeroporto, permitindo o movimento seguro das aeronaves em solo.

Pátio (Área de Estacionamento ou Apron):

IMAGEM 10: Novos pátios de Londrina, Pátio 1 e 2 - Fonte: Piloto Anônimo

O pátio é a área onde as aeronaves estacionam para embarque/desembarque de passageiros, carga e descarga de bagagens, reabastecimento e manutenção. Suas características incluem:

Posições de Estacionamento: Marcadas no chão, indicam o local exato onde cada aeronave deve parar.

Equipamentos de Apoio Terrestre: O pátio abriga diversos equipamentos de apoio, como tratores de reboque, escadas de acesso, veículos de reabastecimento e equipamentos de manuseio de bagagens.

Organização: A organização do pátio visa otimizar o fluxo de aeronaves e as operações de solo, garantindo a segurança e a eficiência das operações.

O acesso ao lado ar é controlado por meio de postos de segurança, onde passageiros e bagagens passam por inspeção (raio-x e detectores de metal). Essa medida visa prevenir o acesso de itens proibidos e garantir a segurança das operações aéreas.



LADO TERRA

IMAGEM 11: Lado Terra no SBLO/LDB - Fonte: Piloto Anônimo.

Os acessos são as vias de entrada e saída do aeroporto, tanto para veículos quanto para pedestres. Incluem:

Vias de acesso rodoviário: Conectam o aeroporto à malha viária da região.

Estacionamentos: Destinados a veículos de passageiros e funcionários..

Terminal de Passageiros (TPS): Edifício onde ocorrem o check-in, despacho de bagagens, áreas de espera, lojas, restaurantes e outros serviços.

Em resumo, o lado terra compreende todas as áreas antes da inspeção de segurança, onde passageiros, visitantes e funcionários podem circular livremente.



ÁREAS DE UM AERÓDROMO

IMAGEM 12: Áreas de um AD - Fonte: Pictures Aviation
    Nos aeródromos existem divisões claras de suas áreas como veremos a seguir:

Área de manobras: significa a parte do aeródromo utilizada para a decolagem, pouso e táxi de aeronaves, excluindo-se os pátios de aeronaves.

Área de movimento: significa a parte do aeródromo a ser utilizada para decolagem, pouso e táxi de aeronaves, consistindo na área de manobras e pátios de aeronaves.

Área de pouso: significa a parte de uma área de movimento destinada ao pouso ou decolagem de aeronaves.


IMAGEM 13: EMAS em Congonhas faz parte da RESA daquele Aeroporto.

Área de Segurança de Fim de Pista (Runway End Safety Area - RESA): significa a área simétrica ao longo do prolongamento do eixo da pista de pouso e decolagem e adjacente ao fim da faixa de pista, utilizada primordialmente para reduzir o risco de danos a aeronaves que realizem o toque antes de alcançar a cabeceira (undershoot) ou que ultrapassem acidentalmente o fim da pista de pouso e decolagem (overrun).

Área de sinalização: significa a área do aeródromo utilizada para exibir sinalização de solo.



ZONAS DE ÁERODROMO


IMAGEM 14: Desenho de uma pista, stopway e clearway. FONTE: Paulo Dirceu Dias

ZONA DE PARADA / STOPWAY: significa a área retangular definida no terreno, situada no prolongamento do eixo da pista no sentido da decolagem, destinada e preparada como zona adequada à parada de aeronaves.

IMAGEM 15: Zona de toque, marca de 1.000 pés e sinalização indicativa. FONTE: PDias.

ZONA DE TOQUE: significa a parte de uma pista de pouso e decolagem, além da cabeceira, onde se espera que as aeronaves pousando façam o primeiro contato com o solo.

ZONA DESIMPEDIDA / CLEARWAY: significa uma área retangular, definida no solo ou na água, sob controle da autoridade competente, selecionada ou preparada como área adequada sobre a qual uma aeronave pode realizar sua decolagem.

ZONA LIVRE DE OBSTÁCULOS (OFZ): significa o espaço aéreo acima da superfície de aproximação interna, superfícies de transição internas, superfície de pouso interrompido e da porção da faixa de pista ligada por essas superfícies, o qual não é penetrado por nenhum obstáculo fixo, que não seja um de pouca massa e montado em suporte frangível, necessário para fins de navegação aérea.


IMAGEM 16: As faixas "zebradas" em uma cabeceira possuem sinalização indicativa de largura de pista. FONTE: Paulo Dirceu Dias / ANAC.


DISTÂNCIA DECLARADA DE PISTA

IMAGEM 17: Exemplos das Distâncias Declaradas de Pista. Fonte: Paulo Dirceu Dias / ANAC.

    Não é somente o comprimento e a largura de uma pista que define as distâncias que existem e são controladas de maneira que não afete a segurança operacional tanto das aeronaves quanto de pessoas e demais objetos em solo, as distâncias declaras que existem são as seguintes:

IMAGEM 18: Todas as Distâncias Declaradas de Pista e Zonas de Aeródromo condensadas em imagem. Fonte: ANAC.

  • TORA - Pista Disponível para Corrida de Decolagem (Take-Off Run Available – TORA): significa o comprimento declarado da pista, disponível para corrida no solo de uma aeronave que decola.
  • TODA - Distância Disponível para Decolagem (Take-Off Distance Available – TODA): significa o comprimento da pista disponível para corrida de decolagem, acrescido da extensão da zona desimpedida (Clearway), se existente.
  • ASDA -  Distância Disponível para Aceleração e Parada (Accelerate-Stop Distance Available – ASDA): significa o comprimento da pista disponível para corrida de decolagem, somado ao comprimento da zona de parada (Stopway), se existente.
  • LDA - Distância Disponível para Pouso (Landing Distance Available – LDA): significa o comprimento declarado de pista disponível para a corrida no solo de uma aeronave que pousa.

AEROPORTO GOVERNADOR JOSÉ RICHA - SBLO/LDB

IMAGEM 19: Panorâmica do SBLO/LDB após reformas pela CCR. Fonte: Piloto Anônimo.

    Desde o início da concessão do aeroporto de Londrina, ainda no ano de 2022, a CCR Aeroportos anunciou investimentos na casa de centenas de milhões para o sítio aeroportuário que, de fato, já são visíveis a todos que observam o complexo aeroportuário. 

IMAGEM 20: Novo terminal. Fonte: José Roberto Custódio / Divulgação – CCR

    O "novo terminal" é uma área anexa a antiga estrutura do aeroporto de Londrina, até o fim das obras o terminal será ampliado em 40%, passando de 8.500 m² para mais de 11.500 m², com capacidade para atender mais de 3,5 milhões de passageiros por ano. Cerca de 90% das obras já foram concluídas, o investimento total ultrapassou os R$ 180 milhões.

IMAGEM 21: Novo pátio e novo terminal ao fundo. Fonte: Divulgação - CCR.

    Entre as novidades, destaca-se a instalação de fingers (pontes de embarque) que conectam o terminal às posições de estacionamento 1 e 2 do Pátio 2, proporcionando acesso coberto às aeronaves.

IMAGEM 22: Novo cercamento patrimonial na face sul, leste e norte.

    Além de que foi feito todo a nova cerca na área patrimonial do aeroporto, afastando a comunidade externa de acompanhar de perto a movimentação de pousos e decolagens de Londrina.

IMAGEM 23: Cerca patrimonial instalada na antiga "pracinha" na cabeceira 13 do SBLO/LDB.

    Nem mesmo a tradicional "pracinha da cabeceira 13" escapou da nova cerca patrimonial, há anos várias pessoas utilizavam esse local para ver de perto as aeronaves que pousaram e decolavam do Aeroporto de Londrina, o local também era utilizado por crianças e jovens que jogavam bola, brincavam e, também, tutores de pets passeavam com seus animais de estimação. Ficava localizado no encontro da Rua Otávio Palhares com a Avenida Salgado Filho. Futuramente o local abrigará a instalação dos equipamentos que compõem o sistema ILS para pouso na cabeceira oposta, a 31.

IMAGEM 24: Imagem indicando a área ampliada em 150 metros na pista de pousos e decolagens de Londrina. Fonte: Piloto Anônimo.

    A pista foi ampliada em 150 metros reaproveitando grande parte da já existente pista de rolagem cabeceiras 13 e 31, porém mesmo com essa ampliação, o zoneamento e as distâncias declararam limitaram o comprimento disponível.
 
    Segundo a Carta de Aeródromo (ADC) em sua última atualização AIRAC AMDT 2404A1 de 18 de abril de 2024, as distâncias declaradas eram as seguintes e logo após as reformas foram atualizadas:

TABELA 1: Dados de Distâncias Declaradas das pistas em Londrina

Analisando a tabela acima temos a notar que, em relação a pista 13:
  1. A pista 13 teve uma redução em sua pista deslocada de 335 metros para 190 metros;
  2. A pista 13 teve uma distância de corrida de decolagem disponível de 2.100 metros para 1.910 metros, uma perda de 100 metros disponível para as aeronaves percorrerem (máximo) na corrida de decolagem.
  3. A pista 13 manteve 2.100 metros de distância disponível para decolagem acrescida da área de livre obstáculos (clearway).
  4. A pista 13 manteve 2.100 metros de distância de aceleração e parada somando com a zona de parada (stopway)
  5. A pista 13 acresceu de 1.675 metros para 2.100 metros de distância disponível de corrida de pouso.

Ainda analisando a tabela acima temos a notar que, em relação a pista 31:
  1. A pista 31 teve um acréscimo de distância de corrida de decolagem disponível de 1.765 metros para 1.910 metros, ou seja, de 145 metros.
  2. A pista 31 teve um acréscimo de distância disponível de decolagem acrescida da área de livre obstáculos (clearway) de 1.765 metros para 1.910 metros, ou seja, de 145 metros.
  3. A pista 31 acresceu de 1.765 metros para 1.910 metros de distância de aceleração e parada somando com a zona de parada (stopway).
  4. A pista 31 acresceu de 1.765 metros para 2.100 metros em sua distância disponível de corrida de pouso, ou seja, de 335 metros totais.

NOVA SEÇÃO DE COMBATE A INCÊNDIO (SCI)

IMAGEM 25: Nova Seção de Combate a Incêndio construída na face Sul do aeroporto de Londrina.

    A sigla SCI em contexto aeroportuário refere-se à Seção de Combate a Incêndio, ou Seção Contra Incêndio, uma unidade operacional do Corpo de Bombeiros (ou órgão equivalente) dedicada a garantir a segurança contra incêndios nas dependências do aeroporto.

IMAGEM 26: Mosaico da estrutura nova da SCI "Bombeiros" do SBLO/LDB. Foto: Leandro Pereira

    As SCIs são responsáveis por:
  • Prevenção: Inspeções, treinamentos e fiscalização para evitar incêndios.
  • Combate: Atuação rápida e eficiente em casos de incêndio em aeronaves, edifícios e áreas adjacentes.
  • Salvamento: Resgate de pessoas em situações de emergência.
  • Atendimento a emergências: Outras ocorrências como vazamentos de produtos perigosos e primeiros socorros.
    Essas seções operam seguindo as normas da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e garantindo a segurança das operações aeroportuárias. Possuem infraestrutura e equipamentos específicos, como veículos de combate a incêndio (CCI) com grande capacidade de água e outros agentes extintores, além de equipes treinadas para lidar com as peculiaridades de um ambiente aeroportuário.

IMAGEM 27: Seção Contra Incêndio / Seção de Combate a Incêndio antiga e descomissionada.

    A antiga SCI do SBLO/LDB ficava anexa ao antigo Terminal de Passageiros e ao lado da Torre de Controle (TWR), agora se encontra na face sul do aeródromo, ao lado do ainda existente "Tiro de Guerra" do Exército Brasileiro.

DESCOMISSIONAMENTO E CRIAÇÃO DE NOVAS TAXIWAYS

    Outra grande mudança no lado ar foi a grande mudança nas vias de acesso até a pista de decolagem e pouso.

IMAGEM 28: Novo layout dos pátios e taxiways das reformas concluídas pela CCR ainda em 2024.

    Ainda de acordo com a Carta de Aeródromo (ADC) em sua última atualização AIRAC AMDT 2404A1 de 18 de abril de 2024, existiam no SBLO as seguintes taxiways:

IMAGEM 29: Layout da pista, pátio e taxiways do SBLO/LDB de acordo com carta ADC do ICA/FAB/DECEA.

  • Taxiway Alfa (ligando o pátio 1 ao ponto-de-espera da cabeceira 13).
  • Taxiway Bravo (ligando o pátio 1 próximo a cabeceira da pista 13 no entroncamento com Taxiway Echo).
  • Taxiway Charlie (ligando a Taxiway Echo a quase metade da pista 13 e 31).
  • Taxiway Delta (ligando a Taxiway Echo a próximo da cabeceira 31). 
IMAGEM 30: Desenho do descomissionamento de taxiways no SBLO/LDB.
 
   Após as reformas temos o descomissionamento de TODAS as vias de taxiway que existiam e apenas duas taxiways novas que ligam o Pátio 1 ao Pátio 2, e ambos à pista 13 e 31.

IMAGEM 31: Vista geral da situação atual após conclusão das obras de ampliação do SBLO - Fonte: AISO/PESO - CCR - SEI-ANAC.

    Ao analisar-se a imagem acima vemos a visão geral da situação após a conclusão das obras de ampliação do aeroporto de Londrina, em relação aos pátios, vemos que há o Pátio 1 e Pátio 2, sendo o Pátio 1 o mais novo, com 06 (seis) posições de estacionamento para aeronaves de maior porte compatíveis com a aeronave crítica do projeto de aeródromo (aeronaves categoria C), que é o Boeing 737 MAX8. Já o Pátio 2 está destinado a operação de aeronaves da aviação geral com 9 posições de estacionamento variando a categoria da aeronaves A, B e C até 28,7 metros de envergadura.


IMAGEM 32: Nova configuração de pátio e posições de estacionamento - Fonte: AISO/PESO - CCR - SEI-ANAC
    Na imagem acima, vemos os pátios e as duas únicas taxiways existentes, Alfa e Bravo, que ligam o pátio e taxiways entre pátios a pista de pouso e decolagem.


GERENCIAMENTO DE TRÁFEGO AÉREO E AS NOVAS TAXIWAYS

    O Gerenciamento de Tráfego Aéreo (ATS - Air Traffic Management) engloba um conjunto de serviços e sistemas que garantem a segurança, a ordem e a eficiência do fluxo de aeronaves no espaço aéreo. Seu principal objetivo é prevenir colisões entre aeronaves, obstáculos e veículos na área de manobras de aeródromos, além de manter um fluxo de tráfego aéreo rápido e organizado.

IMAGEM 33: Situação hipotética de aeronave que decola da RWY13 em amarelo e que pousa na RWY13 em azul após backtrack realizado na pista RWY31.

    Um dos problemas apontados pelo controle de tráfego aéreo foi que com as novas taxiways, as aeronaves assim que pousam ou decolam do aeroporto não possuem uma saída mais rápida para a pista e devem executar um giro de 180º (backtrack, manobra que consiste em percorrer parte da pista na direção oposta à de pouso ou decolagem) na cabeceira, seja para decolar da pista 13 ou da 31, seja para livrar a pista após pouso na pista 13 ou 31.

    Com a necessidade da espera para aeronave poder ter acesso a pista, ou livrar a mesma, outra aeronave pode ter que aguardar demasiadamente para que consiga liberação de movimentação, incrementando o tempo em solo da aeronave e provocando sistemicamente atrasos na escala da aeronave e tripulação, o que pode acarretar em diversos prejuízos financeiros para as companhias aéreas.

IMAGEM 34: Situação hipotética, a aeronave que pousa pela RWY13 tem de percorrer toda a pista para realizar o backtrack (giro de 180º) na cabeceira oposta para retornar pela pista até sair para o pátio de estacionamento, o que pode gerar atrasos.

    O descomissionamento das antigas taxiways se deu pela distâncias entre os eixos paralelos das próprias vias com a pista de pousos e decolagens, o zoneamento e o gerenciamento da segurança operacional, além de que para a futura operação ILS, essa distância terá que ser respeitada.

    Está no Plano Diretor do SBLO a construção de novas taxiways, porém somente em um futuro de médio e longo prazo, pois as obras atuais já se encontram em fase de finalização e seria necessário uma grande demanda de estudos e planejamento financeiro para a construção de novas vias de acesso compatíveis e aperfeiçoadas da maneira como existiam antes das obras.

    O que gerou revolta e indignação na comunidade externa foram as desapropriação de áreas de chácaras na época da gestão INFRAERO, de acordo com o PDIR (Plano Diretor) daquela época, estava previsto a construção de novas vias de taxiway afastando os eixos paralelos entre pista e taxiway. Milhões foram despendidos nessas desapropriações e o projeto não se cumpriu também pela mudança na gestão de pública para concessionada.

PROBLEMAS REPORTADOS POR PILOTOS

IMAGEM 35: Fotografia enviada por um piloto, do pátio novo e iluminação nova.

    Outro problema que está sendo bastante reportado, inclusive através de Relatos Voluntários de Segurança Operacional, são dos refletores de LED (alta intensidade) instalados no pátio novo, eles provocam cegueira nos pilotos e reduzem a acuidade visual no período noturno. Embora eficientes no quesito iluminação, vem gerando situações inseguras aos pilotos operadores.

IMAGEM 36: Pátio novo, fingers e a iluminação nova. Contribuição: Controlador de Tráfego Aéreo de Londrina.


JUSTIÇA (PG vs União)

    Em reportagem publicada pela Folha de Londrina em 13 de dezembro de 2024, com a manchete "Londrina vai à Justiça para garantir melhorias no Aeroporto", diz também que (SIC) "A Procuradoria-Geral de Londrina ingressou com uma ação civil pública contra a União para garantir o cumprimento de um acordo de cooperação técnica firmado em 2016 entre o município e a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) para modernização, ampliação e regularização do Aeroporto José Richa".

IMAGEM 37: Themis, o símbolo da justiça. Fonte: Google Reprodução.

    Segundo o objeto abordado nessa reportagem, estava previsto uma ampliação de 600 metros da pista de pousos e decolagens, e a construção de uma nova pista de táxi, além da implantação do Sistema de Pouso Por Instrumentos, o ILS. Em contrapartida, o munícipio se comprometeu a desapropriar as áreas necessárias para as obras que viriam a ocorrer, com um custo, à época de 50 milhões de reais.

IMAGEM 38: Sistema ILS. Fonte: FAA.

    De fato ocorreram as desapropriações, principalmente na face Norte do aeródromo de Londrina, onde chácaras e casas vieram a pique para as ampliações que seriam feitas pela Infraero naquela época. 

    Ainda na reportagem, o procurador-geral do município, João Luiz Martins Esteves, disse a Folha de Londrina "O município cumpriu a sua parte e a União Federal, ao soltar o edital sem a previsão das obras, descumpriu o que foi acordado. A Procuradoria-Geral vai até a última instância jurídica necessária para se fazer cumprir esse acordo".

IMAGEM 39: Logomarca da INFRAERO Aeroportos. Fonte: INFRAERO.

    A Infraero, em nota, disse a Folha de Londrina que não foi notificada pela Justiça Federal e que "Ademais, a Companhia esclarece que ficou impossibilitada de cumprir a obrigação prevista no acordo de cooperação em questão devido à concessão do Aeroporto de Londrina na 6ª rodada de concessões aeroportuárias promovida pelo governo federal. Deste modo, a partir da conclusão da transferência da operação do aeroporto para a atual concessionária, a Infraero passou a não ter mais competência administrativa para atuar nesse terminal".

IMAGEM 40: Logomarca da CCR Aeroportos. Fonte: CCR Aeroportos.

    Em resposta a Folha de Londrina, a administradora CCR Aeroportos aponta que "cumpriu todas as obrigações previstas no contrato de concessão do terminal, firmado em 2021 entre a CCR Aeroportos e a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)" e que "além disso, concluiu as obras da fase 1B, com investimentos que ultrapassaram R$ 180 milhões. Entre os trabalhos finalizados, destacam-se a ampliação de 150 metros na pista de pouso e decolagens e preparação da infraestrutura necessário para a instalação do ILS, cuja a responsabilidade é dos órgãos de aviação civil". 


INAUGURAÇÃO OFICIAL

IMAGEM 41: Segundo piso do terminal do aeroporto de Londrina. Foto: José Roberto Custódio/CCR.

    A solenidade de inauguração oficial das obras do Aeroporto Governador José Richa (LDB) pela CCR Aeroportos irá ocorrer no dia 22 de janeiro, às 09h30, nas dependências do terminal de passageiros. Estarão presentes o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o Governador do Estado do Paraná, Ratinho Junior, e do CEO da CCR Aeroportos, Fabio Russo.

    No evento, a concessionária irá detalhar as obras que foram realizadas no terminal, com investimentos que ultrapassaram os R$ 180 milhões desde o princípio da atuação da nova administradora. A principal obra foi a ampliação do terminal de passageiros em uma área 40% maior que o antigo terminal, nova sala de embarque e extensão em 150 metros da pista de pousos e decolagens.

Fontes de Consulta:

  • INTERNATIONAL CIVIL AVIATION ORGANIZATION. Anexo 14: Aeródromos. Montreal: ICAO, Terceira Edição - julho de 1999 / Emenda 5 de 27/11/2024. 
  • BRASIL. Agência Nacional de Aviação Civil. RBAC nº 139: Certificação Operacional de Aeroportos. Brasília, DF: ANAC, 2010.
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