"Empresário Alfons Gardemann e o prefeito de Londrina – Imagem: Emerson Dias/NCom"
O TMA Londrina consultou diferentes fontes públicas, matérias jornalísticas recentes e encaminhou questionamento formal para a Prefeitura de Londrina, por meio da Lei de Acesso à Informação, para compreender em que estágio se encontra o projeto da nova taxiway do Aeroporto Governador José Richa, SBLO/LDB, em Londrina.
A principal conclusão é objetiva: o projeto técnico da nova pista de táxi já foi entregue ao Município, a necessidade operacional da obra é reconhecida há anos, há discussões em andamento para eventual inclusão da melhoria no contrato de concessão, mas ainda não existe obrigação contratual vigente, fonte de recursos definida ou cronograma oficial para início das obras.
Projeto entregue, mas obra ainda sem execução definida
"Projeto em 3D da nova pista de taxiway ligando o pátio até a cabeceira 31. MSE Engenharia"
A Prefeitura de Londrina recebeu o projeto executivo da nova taxiway em março de 2026. O material foi doado pelo industrial Alfons Gardemann, presidente do Conselho da Pado, e elaborado pela MSE Engenharia, com cooperação técnica da concessionária Motiva, que forneceu acesso ao sítio aeroportuário e documentos necessários ao desenvolvimento dos estudos.
| "Projeto em 3D da nova pista de taxiway – Airbus A321 em modelo utilizando a via. MSE Engenharia" |
A estrutura projetada prevê uma pista de táxi paralela à pista de pouso e decolagem, com extensão aproximada de 2 km. As estimativas divulgadas indicam investimento entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões, valor influenciado especialmente pela complexidade de terraplanagem e pela necessidade de grande volume de movimentação e importação de solo.
Do ponto de vista operacional, a taxiway não deve ser tratada como uma obra acessória. Em um aeroporto com pista única e sem uma via paralela plena de taxiamento, aeronaves frequentemente dependem da própria pista para deslocamento, backtrack, giro de 180º e liberação após o pouso. Isso aumenta o tempo de ocupação da pista, reduz a fluidez das operações e limita a capacidade de absorção de novas frequências, especialmente em horários de maior concentração de movimentos.
A resposta oficial obtida pelo TMA Londrina
Por meio de solicitação formal encaminhada com base na Lei nº 12.527/2011, Lei de Acesso à Informação, o TMA Londrina questionou a Prefeitura sobre três pontos centrais: existência de tratativas para viabilização da obra, fonte de recursos e eventual cronograma preliminar.
A resposta oficial informou que, no momento, não há obrigação contratual específica que exija a construção de uma nova pista de táxi. A concessão encontra-se na Fase II do contrato, etapa em que o provimento de capacidade adequada aos usuários é monitorado em relação a diferentes componentes da infraestrutura aeroportuária, incluindo terminal de passageiros, pátio de aeronaves, sistema de pistas de pouso e decolagem, sistema de pistas de rolamento e vias de acesso.
O ponto mais relevante da manifestação oficial está na confirmação de que existem discussões em andamento sobre a possibilidade de alteração do contrato de concessão, com eventual inclusão de obrigação prescritiva para construção de uma pista de táxi paralela. Caso essa alternativa avance, caberá à ANAC conduzir a análise dos procedimentos e projetos, considerando a segurança operacional do aeroporto e a adequação contratual da concessão.
Em termos práticos, isso significa que a obra ainda não está formalmente contratada, mas passou a integrar uma discussão regulatória e contratual mais concreta.
A lacuna do contrato de concessão
"Terminal de Passageiros do Aeroporto de Londrina, hoje, administrado pela MOTIVA. Foto: Portal Tarobá".
A construção da nova taxiway não foi incluída como obrigação específica no contrato de concessão original do aeroporto. Esse ponto é essencial para compreender a dificuldade atual: a concessionária administra o aeroporto, mas a obra não consta, até o momento, como investimento obrigatório previsto contratualmente.
Por isso, o caminho em discussão tende a envolver uma das seguintes alternativas: alteração contratual, aditivo ao contrato de concessão, eventual reequilíbrio econômico-financeiro, recursos federais, recursos estaduais, emendas parlamentares ou outra forma de composição institucional. Nenhuma dessas alternativas, entretanto, aparece até agora como solução formalmente concluída.
A própria Prefeitura já sinalizou publicamente que o desafio atual não é mais apenas defender a importância da obra, mas articular a origem dos recursos e o instrumento jurídico adequado para viabilizá-la.
Situação fiscal do Município pesa sobre a viabilização
| "Prefeito Tiago Amaral (PP), discursando na cerimônia alusiva de entrega do ILS Londrina. Foto: TMA Londrina". |
Segundo a publicação, para o ano seguinte foram reservados apenas R$ 12 milhões para investimentos na Lei de Diretrizes Orçamentárias em tramitação, queda expressiva em relação aos R$ 70,5 milhões previstos no orçamento anterior.
Esse dado reforça uma leitura objetiva: uma obra estimada em aproximadamente R$ 60 milhões a R$ 70 milhões dificilmente dependerá apenas de recursos próprios do Município. A viabilização tende a exigir articulação com outros entes públicos, com a concessionária ou com o Governo Federal, especialmente por se tratar de infraestrutura aeroportuária concedida.
Por que a taxiway é estratégica para Londrina
Com o crescimento da demanda e a avaliação de ampliação de voos por companhias aéreas, especialmente a LATAM, a infraestrutura em solo passa a ter papel central. Aeronaves maiores, maior número de frequências e operações em horários concentrados exigem menor tempo de ocupação de pista e maior previsibilidade no fluxo de pousos, decolagens e taxiamento.
A ausência de uma taxiway paralela plena mantém o aeroporto em uma condição operacional menos eficiente, principalmente quando comparado a terminais que dispõem de infraestrutura mais adequada para liberar rapidamente a pista após o pouso ou posicionar aeronaves para decolagem sem depender de deslocamentos prolongados pela própria pista.
O estágio real da obra
"Recorte do projeto original da MSE Engenharia. TMA Londrina".
Com base nas informações consolidadas, o estágio atual pode ser resumido da seguinte forma: Londrina possui projeto técnico entregue, há reconhecimento público da importância da obra, existe articulação institucional em andamento e há discussão sobre possível alteração do contrato de concessão. Porém, ainda faltam os elementos decisivos para que a obra saia do papel: definição formal da fonte de recursos, instrumento jurídico de execução, aprovação técnica pelos órgãos competentes e cronograma oficial.
Portanto, a nova taxiway avançou no campo técnico e político, mas ainda não avançou para a fase executiva. O projeto existe, a necessidade operacional é clara, mas a obra ainda depende de decisão contratual, financeira e regulatória.
Para Londrina, o ponto central agora é transformar uma reivindicação histórica em obrigação formal de investimento ou em obra financiada por fonte definida. Sem isso, a taxiway continuará sendo um projeto tecnicamente pronto, operacionalmente necessário, mas ainda sem data para se tornar realidade no Aeroporto Governador José Richa.









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