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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Maringá impõe coordenação prévia a voos de toque e arremetida, e acende debate sobre transparência regulatória em aeródromo público

Regra publicada em AIP/ROTAER exige coordenação prévia com 2 horas de antecedência para voos de treinamento e condiciona operações à malha comercial

Aeroporto de Maringá - Prefeitura de Maringá/Thiago Louzada

Regulamento local passa a restringir operações de instrução


Recorte AIP-Brasil/AISWEB do Aeroporto de Maringá

    O Aeroporto Regional de Maringá Sílvio Name Júnior passou a adotar formalmente uma restrição operacional que impacta diretamente a aviação de instrução. A medida, já inserida nas publicações aeronáuticas oficiais, estabelece que voos de toques e arremetidas na pista ativa, mais comuns em voos de instrução IFR e VFR, e voos de cheque ANAC ficam sujeitos à coordenação e autorização prévia com antecedência mínima de duas horas junto ao Centro de Operações Aeroportuárias, o COA.

    Além disso, o próprio comunicado da administradora indica que essas autorizações podem variar em função da operação de voos comerciais repetitivos, o que, na prática, vincula a atividade de instrução à disponibilidade operacional da aviação regular.


Impacto direto na formação de pilotos

Aeronave de Instrução em Voo – TMA Londrina

    A medida atinge o núcleo da formação aeronáutica. A instrução de voo depende de flexibilidade operacional para execução de procedimentos como circuitos de tráfego, treinamentos IFR, voos de adaptação e cheques de proficiência.

    A exigência de coordenação prévia com duas horas de antecedência, somada à dependência de janelas operacionais condicionadas ao fluxo comercial, reduz significativamente a previsibilidade e a viabilidade da operação das escolas de aviação.


Na prática, isso implica:

  • Redução de slots (horários) disponíveis para treinamento;
  • Dificuldade na gestão de escala de alunos e instrutores;
  • Impacto direto na continuidade da formação;
  • Aumento de custos operacionais indiretos;
  • Estrutura aeroportuária não indica limitação evidente.

    O aeroporto de Maringá possui infraestrutura compatível com operações IFR de precisão categoria I, operação noturna e atendimento a aeronaves de maior porte, enquadrando-se em código de referência 4D.

    Não se trata, portanto, de um aeródromo com limitações estruturais evidentes que, por si só, justificariam a segregação rígida entre instrução e aviação comercial.

    Esse ponto reforça a necessidade de clareza sobre os critérios técnicos adotados.


Ausência de fundamentação técnica pública

    Embora a regra esteja formalmente publicada, não há, até o momento, divulgação pública dos elementos técnicos que embasaram a decisão.

    De acordo com o RBAC 153 e com os princípios do Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional estabelecidos pelo International Civil Aviation Organization Doc 9859, medidas restritivas dessa natureza devem ser:

  • Baseadas em análise formal de risco.
  • Proporcionais ao risco identificado.
  • Documentadas e auditáveis.
  • Passíveis de revisão periódica.

    Relatos de operadores indicam que, de forma informal, a justificativa apresentada envolveria um suposto maior risco associado a aeronaves de instrução. No entanto, essa premissa não foi acompanhada, até o momento, de dados, estudos ou análise técnica tornados públicos.


Debate sobre acesso isonômico ao aeródromo

    Por se tratar de um aeródromo público, a gestão do uso da infraestrutura deve observar o princípio de acesso não discriminatório entre os diferentes operadores.

    A vinculação direta da operação de instrução à malha comercial levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre:

  • Eficiência operacional.
  • Segurança operacional.
  • Acesso equitativo à infraestrutura.

    A ausência de critérios objetivos divulgados para definição das “variações” operacionais amplia a percepção de subjetividade na aplicação da regra.


Falta de resposta amplia questionamentos

    Após solicitação formal de esclarecimentos técnicos encaminhada à administradora do aeroporto, incluindo questionamentos sobre base normativa, análise de risco e critérios operacionais, não houve retorno adicional até o momento desta publicação.

    A ausência de resposta impede a verificação externa da aderência da medida aos princípios regulatórios vigentes e mantém em aberto o debate técnico sobre sua legitimidade operacional.


Um caso que extrapola o cenário local

    O caso de Maringá ultrapassa o contexto regional. Ele expõe uma questão estrutural da aviação brasileira: como equilibrar o crescimento da aviação comercial com a necessidade de formação de pilotos em aeródromos públicos com infraestrutura compartilhada.

    A restrição está formalmente estabelecida e produz efeitos imediatos. O ponto que permanece em discussão é outro: a transparência e a robustez técnica que sustentam essa decisão.

    Enquanto esses elementos não forem plenamente apresentados, o tema seguirá em análise, tanto pelos operadores quanto pelo próprio ambiente regulatório.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Você sabe quantos voos partem de Londrina por semana? E qual companhia aérea domina a malha aérea da cidade?

    Essas são perguntas frequentes entre os entusiastas da aviação e os passageiros regulares do Aeroporto Governador José Richa, em Londrina (PR). A resposta, no entanto, não é estática: os números de voos variam conforme a demanda, e fatores como sazonalidade e feriados influenciam diretamente na oferta de voos e horários disponíveis.

TABELA 1: Movimento semanal - Aeroporto de Londrina (08/07/2025~14/07/2025).

    Na primeira semana de julho de 2025, Londrina registrou 122 voos comerciais programados. Destes, 57 decolagens têm como destino o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SBGR), principal conexão com o restante do país e voos internacionais. Em seguida, aparecem 13 decolagens para Congonhas (SBSP), 13 para o Afonso Pena, em Curitiba (SBCT), 12 para Viracopos, em Campinas (SBKP) e, aproveitando o período de alta temporada, uma decolagem para Porto Seguro (BA) e outra para Recife (PE).

    Vale destacar que o número de pousos com origem nesses destinos é idêntico ao de decolagens, uma vez que todos os voos são operados em rotas de ida e volta regulares.

    Entre as companhias aéreas, a liderança no número de operações em Londrina pertence à LATAM Airlines Brasil, com 56 voos semanais. A Azul Linhas Aéreas aparece logo em seguida, com 54 voos, e a GOL Linhas Aéreas completa a malha com 12 operações.

TABELA 2: Movimento semanal - Aeroporto de Maringá (08/07/2025~14/07/2025).

    Enquanto isso, o Aeroporto Silvio Name Júnior, em Maringá (PR), cidade vizinha a Londrina, apresenta números ainda mais expressivos: 166 voos semanais, ou seja, 44 a mais que Londrina no mesmo período analisado.

    Em Maringá, os principais destinos também incluem Guarulhos (28 voos), Viracopos (23 voos), Afonso Pena (17 voos) e Congonhas (14 voos). A cidade também conta com uma decolagem para Porto Seguro, aproveitando a demanda turística da estação.

TABELA 3: Comparação de Companhias Aéreas e Voos em Londrina e Maringá.

    A Azul Linhas Aéreas lidera em Maringá com 76 voos semanais, seguida pela LATAM, com 56 voos, e pela GOL, com 34 voos.

    Esses dados refletem a dinâmica da aviação regional e foram extraídos da plataforma SIROS (Sistema de Registro de Operações), mantida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Portal SIROS – ANAC


 SIROS: entenda como funciona o sistema de registro de voos no Brasil

    O transporte aéreo é um setor dinâmico, que exige organização, previsibilidade e tecnologia para funcionar de forma eficiente. Para atender a essas necessidades, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) desenvolveu o SIROS – Sistema de Registro de Operações, plataforma oficial utilizada pelas companhias aéreas para registrar suas operações comerciais no Brasil.

O que é o SIROS?

    O SIROS foi criado para substituir os antigos sistemas HOTRAN Eletrônico e SIAVANAC, representando um avanço importante na forma como os voos são planejados e registrados no país. A plataforma permite o cadastro de voos regulares e não regulares, domésticos e internacionais, seja para transporte de passageiros ou de carga.

    De uso prático e intuitivo, o SIROS oferece às empresas aéreas a possibilidade de inserir, editar e atualizar suas programações de voo, centralizando a gestão operacional e proporcionando maior autonomia ao setor.

Como funciona o agendamento de voos?

    Desde a publicação da Resolução ANAC nº 440, em 2017, a ANAC deixou de intermediar o processo de agendamento de voos. A responsabilidade passou a ser dos operadores aéreos, que devem se coordenar diretamente com os administradores aeroportuários e com o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo).

    Com isso, a ANAC assumiu um papel mais estratégico, fornecendo a ferramenta tecnológica (SIROS), mas sem interferir nas comunicações e autorizações operacionais. O resultado? Mais agilidade, menos burocracia e um fluxo mais eficiente de informações entre os envolvidos.



E qual é o papel do DECEA?

    O DECEA continua com funções fundamentais. É ele quem autoriza o uso do espaço aéreo brasileiro, sendo responsável pelo processamento e aprovação dos planos de voo, inclusive os chamados Planos de Voo Repetitivos (RPL – Repetitive Flight Plans).

    Esses planos são utilizados por companhias que operam voos frequentes e em rotas fixas, permitindo autorizações prévias válidas por longos períodos. Essa sistemática reduz o trabalho administrativo e melhora a previsibilidade operacional.

E o que foi o HOTRAN?

    O termo HOTRAN (Histórico de Transporte Aéreo Nacional) era utilizado para designar os antigos processos de solicitação e aprovação de voos junto à ANAC. Com o surgimento do SIROS, o HOTRAN passou a representar uma etapa já superada da regulação da malha aérea nacional, agora modernizada e digitalizada.

    Com o SIROS, o Brasil deu um passo importante rumo à digitalização do setor aéreo, tornando o registro e o planejamento de voos mais ágeis, transparentes e alinhados às demandas do mercado. Para profissionais da aviação e empresas aéreas, compreender o funcionamento dessa ferramenta é essencial para atuar com eficiência e conformidade.


Fontes:

  1. Referência da ANAC sobre o SIROS: AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL (Brasil). Manual do Sistema de Registro de Operações – SIROS. GTMS/GOPE/SAS. Versão 2. Brasília: ANAC, jul. 2019. Disponível em: https://sistemas.anac.gov.br/sas/siros. Acesso em: 08 jul. 2025.
  2. Referência da Resolução que institui o SIROS: AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL (Brasil). Resolução nº 440, de 11 de agosto de 2017. Dispõe sobre os procedimentos para o registro dos serviços de transporte aéreo público regular e não regular. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 155, p. 30, 14 ago. 2017. Disponível em: https://www.in.gov.br. Acesso em: 08 jul. 2025.
  3. Dados da malha aérea (Londrina e Maringá): AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL (Brasil). Sistema de Registro de Operações – SIROS. Brasília: ANAC. Disponível em: https://sistemas.anac.gov.br/sas/siros. Acesso em: 08 jul. 2025.



terça-feira, 25 de abril de 2017

#VoaCanarinho em Maringá

Detalhe do canário na parte traseira.
Na última sexta-feira (21), veio a Maringá a mais nova pintura especial da Gol, o PR-GUK. A aeronave adesivada com o tema ''Voa Canarinho'', em alusão à seleção brasileira de futebol, cumpriu os voos G31150/1155, vindo e indo à Congonhas, em São Paulo.


O dia não amanheceu bonito, logo após os pernoites decolarem ''baixou'' o nevoeiro na região, o que causou o fechamento do aeródromo por ao menos 1 hora. Mas, até o horário da chegada do voo 1150 já havia dissipado um pouco e a visibilidade já era boa, assim então, operando por instrumentos (IFR).


Após realizar o procedimento RNAV para a pista 28, exatamente às 8:30 local o GUK tocava o solo. 
Após o back-track na cabeceira 10, livrando na Alfa
No pátio a aeronave prosseguiu para a posição 3
Após alguns minutos, já como o voo G31155, chamou a torre solicitando o nível 370 para SBSP. Com vento de 180º e intensidade de torno de 5kt, a pista havia mudado para a 10 e a rota autorizada foi a comum para os voos para CGH: SID KOTEG 1A-BRU-UZ42-PUPSI-DCT.

Mais alguns minutos e o 1155 já solicitava o push-back.
Com POB de 141, o GUK iniciava o táxi pela Alfa (A).
Autorizada a decolagem, e às 9:13 o 1155 deixava o solo Maringaense. 




quarta-feira, 5 de outubro de 2016

EAB 2016 - Fotos

RV-8 em apresentação, realizando passagem baixa sobre a pista
Buenas! No post anterior já tivemos o belo relato do nosso amigo Fábio, que foi voluntário na EAB 2016 que ocorreu nos dias 21 a 25 de setembro aqui em Maringá. Hoje trago mais imagens do evento!

American Champion 7GCBC Citabria Explorer
PA-34-200T Seneca II, da Volare
Raytheon Beechcraft Baron G58
Cirrus SR22-GTS taxiando no pátio principal
AB-115 do Aeroclube de Goiás. Uma pela pintura!
Cessna 510 Citation Mustang
Evektor-Aerotechnik SportStar MAX
Hawker Beechcraft Baron G58
Cessna 182T
Cheyenne I da Executive Air
Eurocopter EC-130T2 
EMB-712 Tupi do Aeroclube de Ponta Grossa
Bonanza C-35
Van's Flyer RV-9A
Cessna 152 do Aeroclube de Ponta Grossa
Cessna 152, também do Aeroclube de Ponta Grossa
Cirrus SR-22 GTS
''Triplo Fox''
RV-10
Kodiak 100 em passagem baixa
Embraer EMB-820C Carajá, da No Limits Táxi Aéreo
Cirrus SR22
Cessna 150M da AMP Escola de Aviação
RV-8 dando passagem ao tráfego no ponto de espera

Phenom 100E
EMB-120 Brasília do Esquadrão Carajá. Aeronave de apoio da Esquadrilha da Fumaça
Extra EA-300L

O famoso T-6 em apresentação
Passagem baixa do T-6
Esquadrilha da Fumaça na final da 28 para o ''pilofe''

Fumaça na decolagem
Manobra do ''coração'' realizada com 5 aeronaves
E como homenagem, quero deixar aqui uma imagem do PT-ZUN, acidentado no sábado a tarde, em uma de suas últimas manobras.