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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Flight Report: AZU4411 Londrina - Campinas a bordo do Embraer 195, PR-AYY, Azul Viagens

Voo: AD4411
Origem: Aeroporto Gov. José Richa – Londrina, Paraná
Destino: Aeroporto de Viracopos – Campinas, São Paulo.
Aeronave: Embraer 195AR (Embraer 190-200-IGW) / Pintura especial Sorriso Azul e Azul Viagens
ETD: 06:10¹ | ATD: 06:10¹
ETA: 07:28¹ | ATA: 07:10¹
Assento: 05A
Data: 24 de Dezembro de 2014

¹ Horário local, para saber UTC (Z) basta acrescentar + 2 horas.

"Embraer 195,  PR-AYY, pintado nas cores do programa Azul Viagens no solo de Campinas"
     A situação estava caótica no aeroporto de Londrina nos dias que antecederam o meu voo, havia dezenas de cancelamentos, pessoas irritadas, balcões de companhias cheios de passageiros e parentes receosos com a possibilidade de não viajar e passar o Natal longe da família, o culpado de tudo isso?! O mau tempo é claro.

      Nas primeiras semanas de Dezembro Londrina teve por muitos dias céu claro e temperaturas típicas do verão até as primeiras previsões das semanas que antecediam o natal mostrarem que haveria a entrada de frentes frias e mau tempo que perdurariam por alguns dias e assim como previsto ocorreram.

"Foto enviada pelo Controlador Carlos Alberto no dia 22/12, Aeroporto Fechado"
    Dois dias antes do meu voo – que ocorreu no dia 24 - o teto abaixou e a chuva forte despencou sobre a pequena Londres juntamente com fortes trovoadas que anunciaram a entrada da nova frente fria sobre a região. A chuva forte logo saiu de cena e o chuvisco perdurou durante todo o dia restringindo enormemente a visibilidade horizontal, deixando a temperatura baixa e o ar saturado que provocou névoa úmida, o resultado dessas condições foram mais de 8 arremetidas e quase todos os voos cancelados, apenas um ou dois conseguiram decolar quando o tempo melhorava e logo após voltava a piorar. 

      A previsão para o dia 23 já animava, diziam nos telejornais e nos websites que o chuvisco daria uma trégua e obviamente minha esperança de voar no dia seguinte aumentara, porém contrariando tudo e a todos o chuvisco continuava de maneira intermitente, o teto permanecia baixo, por alguns minutos o chuvisco tornava-se chuva moderada e o aeroporto permanecia fechado, minha esperança foi ralo abaixo com a água que não parava de cair e quando estava consultando o portal SIMEPAR foi noticiado que a frente fria que se deslocava a nordeste havia tornando-se estacionária, ou seja, ela “parou de se mover” sobre a nossa região e o tempo continuava o mesmo.

      Já estava “pedindo a todos os santos” que dessem uma trégua no chuvisco quando ao anoitecer do dia 23 a água parou de “cair do céu” e aparentemente já era possível avistar alguns prédios distantes de onde estava e o teto subindo rapidamente, felicidade, agradecendo silenciosamente a natureza eu estava quando liguei meu rádio e ouvi o ATIS (Serviço Automático de Informação em Terminal), escutei os procedimentos em uso pra pouso e que o aeroporto estava aberto, finalmente!

      Fiz questão de acompanhar o primeiro pouso após a abertura do nosso querido SBLO, era o voo AZU5141, um ATR 72-600, que vinha de Curitiba e até fui para a rua acompanhar a aproximação dele pela RWY31, me animou muito que ao passar o FL060 para 5000 pés foi possível avistar suas luzes o que indicava que o teto havia subido bastante, porém um pequeno frio na barriga quando a aeronave arremeteu, logo pensei “só faltava essa, piorar novamente e amanhã não conseguirei voar”. Porém a arremetida foi devido ao vento de cauda que logo me animou, pois se havia vento acima de 5 nós e no sentido da pista 13 o tempo iria manter-se estável durante a madrugada. Após completar o procedimento de arremetida e retorno para o aeródromo o AZU5141 pousou tranquilamente pela pista 13 e com ótima visibilidade. Após o pouso da aeronave fui finalizar e deixar tudo pronto para seguir viagem no final da madrugada do dia 24.

       O relógio despertou e a primeira coisa que fiz foi olhar o céu pela janela e as condições deixaram-me tranquilo, pois das poucas horas que dormi o tempo não havia mudado. E lá fomos ao Aeroporto embarcar às 05 horas da manhã. Lotado, filas grandes e uma leve correria dominava o ambiente, muitas pessoas estavam preocupadas, pois entre conversas e cochichos algumas pessoas mais entendidas do meio aeronáutico estavam cientes que a previsão para o início da manhã não era animadora e os voos que não foram cancelados, teriam a chance de não decolarem.

       Na fila para o despacho da bagagem havia um comandante da Azul que embarcaria no mesmo voo que eu para Campinas e logo puxei assunto com ele e perguntei sobre o tempo, perguntei, “E ai será que decola?” Ele respondeu, "Ah cara com certeza decola!” Pronto, isso fez até a alegria de alguns passageiros que estavam na fila despachando a bagagem, afinal para eles foi a palavra de um comandante, não havia mais dúvida se decolaria ou não.

      Após cerca de 5 minutos consegui despachar minha bagagem para outro destino, onde eu faria apenas uma conexão em Campinas, e segui direto para a sala de embarque onde a fila já estava grande, pois junto do meu voo sairiam mais dois outros voos, os dois voos diários da GOL, uma para Congonhas atrasado e outro para Curitiba. A fila única bifurcava-se próximo da entrada da sala de embarque, onde alguns passageiros eram redirecionados para entrarem pela entrada restrita a tripulantes e eu fui um dos “escolhidos” para entrar por lá. 

      Outra surpresa foi ver a sala de embarque tão lotada e com clima de preocupação, pois algumas dezenas de pessoas estavam ali realocadas devido a terem perdido voos nos dois dias anteriores que o aeroporto permaneceu fechado. Eu mal havia colocado relógio e guardado os “cacarecos” no bolso da calça, após a passagem pelo raio-x, já anunciavam chamada final para o voo AZU4111, eu perdi a noção de tempo e não consegui retirar a máquina da mochila para registrar a sala e o embarque na aeronave, os únicos registros foram feitos pelo celular com má qualidade.

       Na noite anterior, por possuir um receiver ADS-B (grosso modo, são aparelho que através deles os aviões são plotados em mapas e disponibilizados em sites como FlightRadar24) soube que minha aeronave seria um Embraer 195 com a matricula PR-AYY, o Azul Viagens, pintado nas cores do programa Tudo Azul! A aeronave é linda e mesmo sentando nos primeiros assentos (10A) fiz questão de dar uma rápida volta ao redor da aeronave e embarcar pela porta traseira.

       As comissárias de bordo da Azul são sempre elegantes e muito prestativas e as que estavam escaladas para o AD4411 não eram diferentes deste padrão, ou melhor, eram sim, muito mais sorridentes, atenciosas e belas. 

       Nunca havia voado de Embraer 195 antes e achei a aeronave muito confortável, com interior suave e elegante, sem dúvidas até o momento considero a melhor aeronave para voar em linhas domésticas no Brasil. A Azul está de parabéns por manter as aeronaves em perfeito estado de conservação.

      Eu adquiri a passagem com a opção “Espaço Azul”, que são poltronas mais confortáveis e com maior espaço entre uma poltrona e outra, o que faz muita diferença ainda mais para uma pessoa “comprida” como eu. Havia TV ao vivo disponível entre rádios e programas que a Azul oferece na palma da mão no apoio esquerdo/direito da poltrona.

Logo após eu ter afivelado o cinto de segurança as portas já foram fechadas e eu preparava para registrar o pátio através da minha janela quando tive a surpresa e infelicidade que eu havia me esquecido de esvaziar o cartão de memória da câmera e também do celular, ou seja, não consegui registrar a decolagem da aeronave, o que também não foi uma coisa ruim, sem tecnologias eu pude “curtir” a decolagem daquela fantástica aeronave na qual estava acelerando para ganhar sustentação e ganhar os ares. 

      A decolagem foi muito suave, se não fosse pela vibração e som dos motores, aparentava que ainda estávamos no solo, sensação essa que não durou muito tempo, logo após ingressamos nas nuvens e uma leve turbulência chacoalhou a aeronave que em poucos minutos saiu da camada de nuvens e eu pude ter a mais linda vista da “janelinha” a bordo de uma aeronave de Linha Aérea. Após o sinal de manter os aparelhos eletrônicos desligado apagarem, tratei logo em eliminar as grandes quantidades de fotos antigas do cartão de memória da câmera para poder registrar algo antes da descida da aeronave e por fim consegui.

       O serviço de bordo foi iniciado e as comissárias passaram perguntando a opção de bebida na qual incluía vinho, suco de laranja, pêssego de baixa caloria e água. Após terem anotado os pedidos distribuíram copos com/sem gelo para quem havia pedido alguma opção de bebida. Além de bebidas, foram ofertados os “snacks” padrão da Azul como bolinhos, goiabinhas, geleia (aviõezinhos), biscoito de polvilho e amendoim, para curiosidade eu pedi um de cada somente para registrá-los nesse report e comê-los durante a conexão em Campinas, sim é bom economizar, todos sabemos o preço dos “alimentos de aeroportos”.

No início do voo todos os passageiros ganharam um fone de ouvido para assistirem a TV ao vivo, sintonizei a minha TV para o noticiário da manhã sem áudio, pois como colecionador nato de “tudo o que vem de aviões” não tive coragem de abrir a embalagem com os fones de ouvido ou solicitar outro, afinal, eu estava mais interessado em curtir o voo e registrar o momento do que assistir televisão. 

      O PR-AYY já estava próximo de Bauru quando os primeiros raios de sol iluminaram a camada de nuvens abaixo de nós e os motores da aeronave refletiram os raios de sol produzindo uma visão extasiante que pude registrar em vídeo junto com o “mergulho” da aeronave nas nuvens.

Video: Penetrando na camada de nuvens em descida para Campinas.


    

      Após o aviso de atar os cintos devido a turbulência, que foi registrado no vídeo acima, não demorou muito para que saíssemos dessa camada e o serviço de bordo fosse finalizado e a tripulação ter recebido o alerta de “preparar para o pouso” ligando novamente todos os avisos luminosos.

      


     A aeronave tocou rapidamente o solo de Campinas livrando a pista pela taxiway Bravo, onde por alguns segundos pude ver os gigantes no pátio de cargas, um Boeing 747-400 da AirBridge Cargo, 1 Boeing 767-300 da UPS e 1 Airbus A330 da Azul que estava sendo carregado para Orlando.


Vídeo: Pouso do AZU4411 em Campinas

"DC-8 e um 'Breguinha' da Vasp abandonado"
"Território AZUL, ATR72, ATR42, Embraer 190 e Embraer 195 dominando o pátio"
   
"Lado do F/O do E195"
   
    Após a parada da aeronave solicitei a comissária uma visita no flightdeck (cockpit) da aeronave, onde ela solicitou ao comandante que me autorizou e pude registrar um pouco de onde essa fantástica aeronave é pilotada. Após algumas fotos e conversas desembarquei, depois de um bom tempo após os demais passageiros terem abandonado a aeronave, estava perdido, nunca tinha estado em Campinas antes, quando o comandante do voo me orientou para onde eu deveria ir até a sala de conexões.*


"Lado esquerdo do painel do PR-AYY"
"Overhead da aeronave"

"HUD do Embraer 195, Head-Up Display"

           A caminhada não foi longa e nem curta, porém deu para apreciar a movimentação intensa de aeronaves da Azul no pátio velho e logo encontrei a sala que tive que encarar um tumulto de pessoas e sem lugar para sentar até a saída do meu voo com para o destino, pois os lugares vagos eram ocupados por bagagens e pés dos demais que já ocupavam um assento.

"No solo já estacionado fotografando a fuselagem da bela aeronave"

"Sorriso Azul"
"Detalhes do nariz da aeronave e do radome"
"Pátio de Campinas e ao fundo no canto esquerdo no pátio de cargas o Airbus A330 da Azul"
"Pátio de Cargas registrado no embarque do meu voo final com o B777-200LRF da Lanco, B767 da UPS e o B747 da AirBridge Cargo"

       E assim finalizo o report do AD4411, LDB-VCP, E195, PR-AYY, agradecendo enormemente a oportunidade que tive no cockpit já em solo de Campinas ao lado do Comandante Michel e as lindas comissárias daquele voo que não irei citar o nome delas por não ter pedido autorização das mesmas. Agradecimento especial pela Azul por ofertar um voo tranquilo e seguro a bordo do seu Embraer 195, ATR 72-600 no destino final e a todos os leitores que chegaram ao fim deste flight report que ficou mais como um “Morning Report”.

* Meu tempo de permanência no cockpit e a orientação do comandante duraram um bom tempo, pois os tripulantes só seguiriam para o próximo voo, para Confins – SBCF, em uma hora da presente naquele momento, ou seja, minha presença não os atrapalhou devido a essa folga de tempo.

BÔNUS!!!

      Segui viagem no ATR72-600 da Azul para Três Lagoas, no interior do Mato Grosso do Sul onde possuo alguns parentes e abaixo seguem algumas fotos e vídeos que registrei durante esse voo:

"Cauda do ATR 72-600, PR-ATG, programado para o AZU5176 para SBTG"
"Azul bandeira, PR-AYV, Embraer 195 chegando de mais um voo para Campinas"
"Traseiro do PR-ATG"
" Local onde é armazenado as "Caixas-Pretas" do ATR72" 
"Última foto do exterior da aeronaves antes do embarque"
"Já embarcado e pushback concluído"

"Vídeo: Decolagem do ATR de Campinas"

"Após a decolagem da RWY15 de Campinas"
"Em cruzeiro no FL180 para SBTG"
"Cockpit do ATR72-600, matrícula PR-ATG, já no solo de Três Lagoas - MS"
"Overhead do turboprop"
"Solo de Três Lagoas-MS"

"Vídeo: Descida e pouso em Três Lagoas - MS, SBTG, pista 25"

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Navegação: Londrina - Maringá - Londrina (Flight Report)

Buenas pessoal, resolvi fazer um pequeno "Flight Report"  sobre um voo de instrução de Navegação. Nossa aeronave, é um Embraer Tupi, P28A, matrícula PT-VHV do Aeroclube de Londrina, irei eu, meu Instrutor de Voo junto com 189 litros de Gasolina de Aviação (mais conhecida como AVGÁS). Planejamento de voo feito no dia anterior, consulto a meteorologia, os NOTAM's o ROTAER afim de estar atualizado sobre as condições dos aeródromos de origem, destino e alternativa.

Com autonomia de sobra para realizarmos o voo de aproximadamente 01:30 minutos de duração, inicio o check pré voo, feito toda vez antes de um voo. Check finalizado, ouço a informação prestada pelo ATIS, que fornece as condições meteorológicas do aeroporto, via rádio. ATIS copiado, faço a chamada inicial com a Torre Londrina e após a autorização, realizo o briefing de decolagem com meu instrutor, informando a pista que iremos decolar, a configuração de flape da aeronave, velocidade de rotação (VR) velocidade de subida, altitude de aceleração e altitude de retorno (pretendo fazer um post com vídeo mais para frente para exemplificar melhor cada item).
Nivelado no FL065 no rumo 277  para Maringá
Briefing feito, acionamento a critério, inicio o motor e após o check pós acionamento chamo novamente a Torre, informando que estamos pronto para o taxi. Taxi autorizado, devemos informar que estamos ingressando no pátio principal (onde normalmente ficam os aviões de linha aérea), após informarmos, a Torre nos dá novamente outra autorização, desta vez para taxiarmos até o ponto de espera da cabeceira 13.

Chegando no ponto de espera, realizamos um dos checklist mais importantes: o pré decolagem. Durante este check, verificamos o funcionamento do motor, testando nessa ordem, a mistura, os magnetos (direito e esquerdo) o ar quente do carburador, o amperímetro, a sucção de giro, os instrumentos do motor (pressão e temperatura) e por fim o regime em marcha lenta. Após check feito, informo a Torre Londrina que estamos pronto para decolagem.

Decolagem autorizada, ingresso na pista, acionando o transponder, ligando a luz de pouso, bomba elétrica e confiro o giro direcional e a bússola com a proa da pista, ao mesmo tempo que inicio a rolagem. Adiciono a potência devagar e constante até o regime máximo, conferimos os mínimos para a decolagem e aguardamos nossa VR de 65 nós. VR atigida, rodo a aeronave e busco 80 nós para subirmos. Após atingirmos a altitude de aceleração, no caso em Londrina é de 2.200 pés, recolho os flapes e desligo a bomba auxiliar e o farol de pouso.

Após a Torre nos informar o horário de decolagem e nos transferir para o Controle Londrina, passamos nossos estimados para nosso destino, no caso Maringá. Um voo de Tupi pra lá, dura em média 27 minutos se não considerarmos o vento. Somando ao horário de decolagem, teremos um primeiro estimado para nossa chegada na cidade Canção. Subimos para o nível de voo, FL065 e aceleramos para nossa velocidade de cruzeiro, 100 nós.
Vista aérea de Maringá durante o retorno para Londrina
Durante a subida, temos que fazer o ajuste de mistura ar/combustível e mudamos nosso ajuste de altímetro para o voo em rota, 1013,2 hpa. Nivelados no FL065, passo novamente outro estimado, corrigindo em alguns minutos o estimado passado anteriormente sendo que, desta vez, procuro considerar aproximadamente o vento atuante.

A 15 milhas náuticas de Maringá, informo nossa posição ao Controle Londrina, que autoriza nossa descida para a altitude de tráfego do SBMG e nos transfere para a Torre Maringá. Após contato inicial, nos é autorizado a perna do vento da 10, cabeceira onde realizamos dois toques e arremetidas. Durante a perna do vento é feito o check pré pouso e quando ingressamos na reta final, a Torre nos informa as condições meteorológicas da pista, como vento, pressão além da curva a ser realizada após o toque, para que possamos reingressar no circuito de tráfego.

Tanto o primeiro quanto o segundo toque, realizo com full flapes com uma velocidade de aproximação de 70 nós até o cruzamento da cabeceira. Em ambos os toques confesso que foram "catrapadas" (toque brusco), com direito a uma flutuada após o toque em um deles.
Na curta final da 10 em SBMG, 70 nós de velocidade, configurado com full flape
Terminal de passageiros de Maringá
Hangares da aviação geral
Após os toques, retornamos para Londrina, desta vez no nível de voo 055, mantendo os mesmos 100 nós de velocidade indicada durante o regime de cruzeiro. Basicamente é feito a mesma sequência da ida, de forma metódica. Todos os check's são seguidos a risca, os estimados são passados e corrigidos se necessário, os ajustes são feitos durante o cruzeiro, além de um frequente cross check entre as referências visuais, proa e estimados. Também acompanhamos os parâmetros do motor afim de não sermos surpreendidos em caso de pane. 
Londrina, em primeiro plano a Gleba Palhano e ao fundo o Centro
Durante o retorno, devido a um tráfego que estava na aproximação final, a Torre Londrina nos manda fazer uma espera na vertical do shopping Catuaí, sendo que após a passagem dele, ela nos autoriza a prosseguir para toque e arremetida como número 2 na aproximação final. Dessa vez, capricho no toque, tentando "compensar" a má impressão deixada em Maringá. Toque realizado, iniciamos o procedimento de arremetida, que incluem, voltar o flape para a posição de 10º, compensar a aeronave para decolagem e fechar o aquecimento do carburador, caso ele tenha sido aberto durante a aproximação.

Reingressando na perna do vento, solicito pouso e base curta, afim de evitar outra espera, já que um TAM estava a 4 minutos do fixo de aproximação final do RNAV da pista 13. Aquecimento do carburador aberto, potência reduzida, velocidade enquadrada já comando 25º de flape e inicio a curva para a perna base. Quando a rampa de planeio até a pista garantida, enquadro 70 nós e comando full flape, alinhando com o eixo da pista. Livramos após o pouso pela taxiway "Charlie" e em seguida na "Echo", para cruzarmos o pátio principal e prosseguirmos até o hangar do aeroclube.

Bom galera é isso aí, tentei não me alongar muito, sendo moderadamente detalhado. De uma maneia geral é assim que é feito um voo de navegação visual, espero que tenham gostado! Deixem nos comentários, duvidas e perguntas sobre o texto, além sugestões para os post's futuros!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Navegação Londrina - Apucarana - Arapongas - Londrina ("Fotoreport")

Buenas galera, ao contrário do nosso futuro "Flight Report" decidi fazer um "Fotoreport" que basicamente é preguiça de fazer um flight report um conjunto de imagens com legendas descrevendo o que aconteceu no voo. O voo foi de instrução entre as cidades de Londrina, Apucarana, Arapongas e de volta a Londrina.
Tocando e arremetendo pela cabeceira 10
Vista aérea de Apucarana
Painel do EMB Tupi 712
Sobrevoando Arapongas
Taxiando após o pouso em Londrina, taxiway "Echo"
Tráfego que pousou na nossa retaguarda
Terminal de Passageiros de Londrina
É isso aí, em breve um "Flight Report" contando um pouco sobre uma navegação entre Londrina Maringá e voltando para Londrina! Aguardem!!

domingo, 12 de janeiro de 2014

TMA Londrina no Portal Bonde!

O post realizado pelo nosso editor Fábio Faria contando-nos a sua experiência de voo (Flight Report) foi ao ar nesse domingo no Portal Bonde. Com o título "Londrina tem voo para Maringá por R$ 21,90" a reportagem pode ser acessada na íntegra por este link (clique aqui). A pauta foi feita por Lucas Emanuel Andrade, redator do Bonde.

Clique na imagem para acessar a reportagem!
Mais uma vez, parabéns ao Fábio pela postagem!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Flight Report: Voo AZU2490 Londrina (LDB) / Maringá (MGF)

Voo AZUL 2490
Origem: Aeroporto Gov. José Richa – Londrina, Paraná
Destino: Aeroporto Silvio Name Júnior – Maringá, Paraná.
Aeronave: ATR 72-600 (PR-TKM) / Cauda TRIP e logo Azul
ETD: 09:15 (11:15Z)
ETA: 09:45  (11:45Z)
Assento: 10D
Data: 17 de Dezembro de 2013

      Tudo começou em uma Segunda-Feira, dia 16 de Dezembro, estava pensando onde passar o final de ano, na dúvida pensei se retornava ao meu interior paulista ou se passava com os amigos em Londrina, foi ai que lembrei de uma conversa com meu saudoso amigo de faculdade, Celio Astun, o qual me acompanhou nos voos que dissertarei a seguir, sobre a possibilidade de pegar um voo da Azul que tem como destino Maringá para encurtar a minha viagem de volta ao interior paulista, pois infelizmente tenho que aguentar 07 horas dentro de um ônibus da Garcia para percorrer apenas 300km com parada em todas as cidades do Norte e Noroeste Paranaense em rua rota, de Londrina a Maringá levam-se 03 horas e alguns minutos e o resto da viagem, quando sem atrasos, mais 03 horas, não me importo muito, pois desde pequeno fui apaixonado por viajar de ônibus, na verdade qualquer meio de transporte ganhou minha admiração e respeito, aviões, navios, trens e por ai vai.

       Resolvi “dar asas” a minha ideia de voar entre Londrina e Maringá pelo voo AZU2490 e iniciei a busca pelo voo no site da Azul e foi lá que me surpreendi, o preço da passagem... Inacreditavelmente a passagem Promocional (Promo) estava apenas R$ 21,90 sem a taxa de embarque, foi tanta a surpresa que dei um “reload” na página para confirmar este preço, achei estar lendo errado, até coloquei os óculos para ver se estava lendo corretamente o preço de R$21,90 invés de R$219,0. Logo procurei o preço da passagem de volta e pasmem, estava o mesmo valor. Não pensei duas vezes em avisar meu amigo e convidá-lo para um "passeio de avião" em Maringá, ir as 09:45 da manhã e retornar as 20:15 do mesmo dia. Para ter uma noção a Garcia oferta linhas de ônibus executivos e convencionais por R$ 30,00 a passagem, meu voo só de ida, com as taxas de embarque ficou por apenas R$ 33,00 e no total ida e volta R$ 77,00.

       Bilhetes comprados para o “passeio”, que na verdade era uma realização pessoal voar de ATR, sempre gostei da aeronave, era só aguardar o próximo dia para nossa viagem. Logo quando amanheceu, estávamos presentes no Aeroporto de Londrina as 08:30 da manhã, onde aguardaríamos o pouso da aeronave vinda de Porto Alegre usando o mesmo call sign, AZU2490. No pátio havia dois Airbuses, um A319 e um A320 que pude registrar, o PR-TYE, quase-novo “sharkletado” e o PR-MYL partiam para Congonhas e o outro para Curitiba. Enquanto as aeronaves estavam no processo final de embarque, nosso saudoso ATR veio para o pouso, era o PR-TKM, ainda nas cores TRIP, porém logo Azul.

 "PR-MYL Airbus A319, taxiando para o Ponto de Espera da Pista 13".

 "PR-TYE Airbus A320 e seus novos Sharklets taxiando para o Ponto de Epera da 13"

 "Alinhado e pronto decolagem na pista 13"

        Nós fomos direto para a sala de embarque, aguardar a chamada para o voo, a sala estava vazia, havia poucos passageiros para embarcar no nosso voo que após chegar em Maringá iria prosseguir para Porto Alegre. O clima de ansiedade era leve, quem gosta de voar, não vê a hora de estar dentro da aeronave voando, não é mesmo?!

      Fomos chamados ao portão e uma fila de no máximo 15 passageiros formou-se na sala de embarque e prosseguimos para as aeronaves, destaque especial aos funcionários da Azul, sempre sorridentes, gentis e atenciosos a todos, desde o pessoal de solo até os tripulantes. Pés no pátio e rumo à nossa aeronave, uma nova visão do ATR72, que só parece pequenininho visto de longe, eu com meus quase 2 metros fiquei receoso de me encaixar dentro dele, fui com esse pensamento até a porta traseira da aeronave onde uma linda comissária da Azul dava as boas-vindas a bordo.

        "Nossa aeronave, o ATR72-600 PR-TKM"

"A matrícula da aeronave e o adesivo que diz: Você está entrando em um avião da melhor companhia aérea regional  da América do Sul. Award ganhado pela Azul em 2011 da Skytrax World Airline".

      Como eu já esperava tive que abaixar a cabeça e me virar de lado para entrar no ATR72, dando passos curtos e cuidadosos na pequena escadinha da aeronave, onde só cabiam 2/3 do meu pé, estava lá a bordo, novamente dentro de uma aeronave, depois de um tempinho sem linha aérea, aquele cheiro agradável de avião, creio eu, um leve aroma de Querosene pairando no teto da aeronave. Na foto ao lado, mostramos que os ATR72 são divididos na configuração 2-2, duas poltronas em cada lado separadas por 1 corredor.

    

    Encontramos nossas poltronas que ficaram bem no bordo de fuga da asa, atrás do motor direito, motor número 02. A primeira impressão foi de que eu não caberia naquela poltrona minúscula e espaço limitado entre a outra poltrona. Surpreendi-me novamente quando me acomodei muito bem na poltrona, claro que meus joelhos encostaram na poltrona a frente, mas nada desconfortável. Estava pronto, afivelei os cintos e prestei atenção nas instruções das comissárias em caso de emergência.
" (Foto) Com quase dois metros até que minhas pernas se encaixaram esta foto foi feita no voo de volta o AZU2391".

    Tudo pronto, motor número dois acionado em Hotel Mode, com o Prop Brake ativado, sem o giro das blades, ar condicionado circulando e um leve aroma de Querosene invadiu a cabine quando os motores estavam com potência para taxiar, o taxi foi rápido, ficamos no ponto de espera aguardando alguns minutos para alguma aeronave em pouso ou toque e arremetida liberar a pista e logo ingressamos na pista. 













"Pronto para o taxi, motores acionados e rumo a decolagem",




"Vídeo: Decolagem de Londrina, DICA: Assista em Full HD 1080px"

                 A decolagem foi suave a aeronave descolou do asfalto mais da metade da pista e começamos a ascender ao FL080 (8.000pés ou 2.438metros). Como é um voo curto, na verdade um dos voos de Linha Aérea mais curtos e rápidos do Brasil, a aeronave permanece em cruzeiro por alguns minutos e logo retorna a fase de descida, não há serviço de bordo, as comissárias ficam sentadas em seus assentos monitorando os passageiros. Os avisos luminosos não se apagam, os passageiros devem manter os cintos afivelados e aparelhos transmissores e receptores de frequência desligados durante todo o voo.



"Aeródromo de Arapongas visto do ATR72, no FL080"




      Quinze minutos passaram muito rápidos, não desgrudei por nenhum minuto os olhos do ambiente externo, aproveitando ao máximo o voo panorâmico na Terminal Londrina. Estava literalmente voando nos pensamentos quando a CMS anunciou que logo pousaríamos e que éramos para nos preparamos para o pouso, aquele velho speech clichê de travar as mesinhas, poltronas na vertical e cintos afivelados.

      



"Vídeo: Aproximação e pouso em Maringá"

      A aproximação durou 10 minutos, pela posição e curvas da aeronave, logo deduzi que executavamos o procedimento RNAV GNSS para a RWY10 (Pista 10). O pouso foi suave e logo livramos na primeira taxiway do aeroporto de Maringá. Voltando da reversão, aquele som característico dos motores Pratt&Whitney PW127 nos brindou com a sua sinfonia até o Pátio Principal, onde logo que encostou no box, acionou o Prop Brake e assim que o GPU (Ground Power Unit – Unidade de energia externa “uma fonte de energia para o ATR”) foi conectado, o comandante cortou completamente os motores e iniciamos o desembarque.

       Na saída da aeronave encontramos com as Comissárias de bordo, que ao desejar um “dia Azul” nos ofereceu um pacotinho de gomas em formato de aviõezinhos com o logo da Azul. 

          Em suma, gostei muito da aeronave e do voo, não achei a aeronave tão barulhenta quanto haviam me falado, pegamos uma pequena turbulência sobre Maringá devido as térmicas ascendentes (correntes de ar quente que sobem da cidade).

      Após o desembarque fomos conhecer um pouco mais Maringá e nos preparar para embarcar no AZU2491, o voo de volta. Deixo registrado a minha indignação com o serviço ruim de transporte público de Maringá, onde possuem linhas de ônibus confusas e um terminal urbano completamente bagunçado e aberto, nesse quesito o Terminal Urbano Central de Londrina está a anos-luz do terminal de Maringá, todavia, de resto a beleza de Maringá faz-nos esquecer desse pequeno inconveniente.



É isso ai pessoal! Espero que tenham gostado dessa pequena experiência.