segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Na contramão do desempenho regional, Londrina deve encerrar 2025 com retração no fluxo de passageiros


    O Aeroporto Governador José Richa deve fechar 2025 com queda no número de passageiros. Caso o volume médio de voos registrado ao longo do segundo semestre se mantenha no mês de dezembro, a projeção indica retração próxima de 10% na comparação com 2024. No ano anterior, a Motiva, concessionária responsável pela administração do terminal, contabilizou 781.334 passageiros. Em 2025, até o fechamento de novembro, o total acumulado de embarques e desembarques alcançou 643.739 usuários, com média mensal aproximada de 56 mil passageiros entre julho e novembro.

    O balanço oficial da concessionária está previsto para divulgação por volta do dia 20 de janeiro, porém os dados parciais já permitem traçar um panorama pouco favorável para o aeroporto londrinense. Mesmo após a conclusão de obras de modernização, o movimento operacional não apresentou a expansão esperada. As intervenções estruturais incluíram ampliação da pista, reforma do terminal de passageiros, implantação de pontes de embarque e instalação dos sistemas ILS e ALS. As melhorias, entregues majoritariamente em janeiro de 2025, consumiram investimentos estimados em R$ 200 milhões e elevaram a capacidade teórica do aeroporto para até três milhões de passageiros por ano.

    Apesar do avanço em infraestrutura, a modernização não se traduziu em incremento de operações comerciais. Enfrentando dificuldades financeiras, as companhias aéreas promoveram ajustes em suas malhas, reduziram custos e, ao longo de 2025, cortaram frequências com origem e destino em Londrina. Essa reestruturação impactou diretamente o fluxo de passageiros, conforme apontam os relatórios mensais divulgados pela concessionária. Mantida a média do segundo semestre, a estimativa é que o fechamento anual fique em torno de 700 mil usuários.

Alienação da plataforma aeroportuária

    Em novembro, a Motiva anunciou a venda integral de sua plataforma de aeroportos, composta por 20 terminais, para a Aeropuerto de Cancún, empresa controlada pelo Grupo ASUR (Aeroportuário del Sureste). O valor da transação foi de R$ 11,5 bilhões, sendo R$ 5 bilhões referentes à participação acionária e R$ 6,5 bilhões relacionados a dívidas líquidas. De acordo com a concessionária, a operação faz parte do plano estratégico iniciado em 2023, voltado à reorganização e otimização do portfólio de negócios do grupo.

Cenário regional em crescimento

    Embora o desempenho isolado de Londrina apresente retração, a Agência Nacional de Aviação Civil divulgou dados positivos para a Região Sul. Após crescimento expressivo registrado em outubro, o setor manteve trajetória de expansão em novembro. Os aeroportos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul somaram 2,38 milhões de passageiros no mês. No acumulado entre janeiro e novembro, os terminais da região movimentaram 24,3 milhões de usuários, alta próxima de 20% na comparação com o mesmo período de 2024. Em termos mensais, novembro de 2025 superou o mesmo mês do ano anterior em 17,6%.

Porto Alegre lidera movimentação

    O Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, liderou o ranking regional, com 6,55 milhões de passageiros entre janeiro e novembro, o que representa 26,9% do total da Região Sul. Na sequência aparecem o Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, com 5,49 milhões de usuários (22,6%), e o Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, com 4,5 milhões (18,5%). Somados, os três terminais concentram aproximadamente 70% de todo o tráfego aéreo da região.

    A ANAC também destacou o desempenho de aeroportos com perfil regional e turístico, como Navegantes (SC) e Foz do Iguaçu (PR), ambos próximos da marca de dois milhões de passageiros no período analisado. Maringá, Londrina, Chapecó, Joinville e Cascavel igualmente foram citados pela relevância estratégica na malha aérea do Sul do país.

    Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os indicadores confirmam uma tendência consistente de crescimento. Segundo ele, a expansão da aviação na região é impulsionada pelo turismo, pelos negócios e pela integração logística entre os estados, refletindo o aquecimento da economia e a efetividade das políticas públicas adotadas para o setor aéreo.

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