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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Você sabe o que é essa estrutura na curta final da pista 31 e no prolongamento da reta de decolagem da pista 13, em Londrina?

"VOR Londrina em 16/05/2026".

    Trata-se do VOR/DME Londrina, identificado como LON, operando na frequência 112.400 MHz, canal CH71X para o DME. VOR significa Very High Frequency Omnidirectional Range, um auxílio-rádio à navegação que transmite sinais em VHF, permitindo que a aeronave determine sua posição angular em relação à estação por meio de radiais. Em termos simples, o VOR funciona como uma referência eletrônica no espaço aéreo, permitindo que pilotos e sistemas de navegação sigam rotas, interceptem radiais, executem procedimentos de saída, chegada e aproximação por instrumentos.

    Durante décadas, o VOR foi uma das principais bases da navegação aérea convencional. Antes da ampla adoção dos sistemas baseados em satélite, como o GNSS, a navegação IFR dependia fortemente de auxílios terrestres, como VOR, DME, NDB e ILS. Esses equipamentos sustentavam aerovias, procedimentos de aproximação, esperas, saídas por instrumentos e a própria organização do espaço aéreo inferior e superior.

    O VOR/DME Londrina teve papel relevante na operação IFR do Aeroporto Governador José Richa, SBLO/LDB. Por muitos anos, serviu como referência para aerovias, procedimentos de chegada, aproximação e saída por instrumentos, permitindo que as aeronaves operassem em condições meteorológicas nas quais o voo visual não seria suficiente ou adequado.

    Entretanto, a navegação por VOR depende da propagação adequada de sinais eletromagnéticos. Edificações, relevo, estruturas metálicas e o crescimento vertical urbano podem afetar a qualidade do sinal em determinadas direções, reduzindo o alcance, limitando radiais ou tornando certas áreas não utilizáveis. Em Londrina, o avanço da verticalização, especialmente nas regiões central e sul da cidade, com destaque para a Gleba Palhano, passou a criar restrições relevantes para a operação plena do auxílio. A cada inspeção em voo realizada pelo GEIV, unidade da Força Aérea Brasileira responsável por verificar auxílios à navegação aérea, novas limitações ou degradações podiam ser identificadas.

    Com a evolução da navegação por satélite, especialmente por meio de procedimentos baseados em GNSS e conceitos de PBN, a dependência operacional do VOR foi sendo reduzida. Isso não significa que o VOR deixou de ter valor técnico no mundo, mas, no caso específico de Londrina, a combinação entre limitações do sítio, interferências urbanas, custos de manutenção, eventual necessidade de relocação e modernização dos procedimentos reduziu significativamente sua utilidade operacional.

    Atualmente, o VOR/DME LON 112.400 MHz/CH71X consta na informação aeronáutica como não utilizável, com publicação em Suplemento AIP e referência a NOTAM, conforme consulta ao AISWEB/DECEA. O Suplemento AIP N0058/2026 indica a condição de não utilização do equipamento no período de 11 de junho de 2026 a 15 de abril de 2027, referenciado à AIP ENR 4.1.

"ALS/ILS da pista 31 de SBLO/LDB - Londrina"

    Além disso, após a implantação do ILS da pista 31, a permanência física do antigo VOR/DME passou a se relacionar também com o projeto de ampliação do ALS, sistema de luzes de aproximação associado às operações por instrumentos. No processo de adequação da infraestrutura, a concessionária Motiva, por meio de sua equipe técnica, assumiu compromisso junto à ANAC para a desativação permanente do equipamento, medida necessária para viabilizar o prolongamento das luzes de aproximação do ILS.

    Portanto, aquela estrutura não é apenas um equipamento antigo instalado próximo à pista. Ela representa uma fase importante da navegação aérea em Londrina, quando a orientação das aeronaves dependia fortemente de auxílios-rádio terrestres. Hoje, sua função operacional foi superada por novas tecnologias e por uma nova configuração da infraestrutura aeroportuária, mas sua presença ainda marca uma parte relevante da história do voo por instrumentos no Aeroporto de Londrina.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Projeto Arco Norte: ambicioso plano de aeroporto internacional no norte do Paraná permanece engavetado e esquecido

"Cargueiro McDonnell Douglas MD-11 FedEx pousando - ©SAM CHUI"

    Com as recentes discussões sobre a infraestrutura do atual aeroporto de Londrina, a problemática em relação ao descomissionamento das antigas taxiways e a ampliação da pista, nos faz lembrar de um ambicioso projeto que foi engavetado: o aeroporto internacional de cargas do Norte do Paraná.

"Raio de interesse comercial e logístico do Projeto Arco Norte"

O chamado Projeto Arco Norte surgiu em 2005 como uma proposta visionária, com o objetivo de criar um novo aeroporto internacional de grande porte, voltado para cargas e passageiros, em uma área estratégica entre os municípios de Londrina, Cambé, Ibiporã, Rolândia, Arapongas e Apucarana. A intenção era atender à crescente demanda logística e aérea da macrorregião Norte Central do Paraná, com abrangência potencial para parte do estado de São Paulo e o Mato Grosso do Sul.

"Raio do Sítio Aeroportuário"

    O plano previa uma pista de 4.000 metros de comprimento por 60 metros de largura, com capacidade para receber aeronaves de grande porte como Boeing 747 e Antonov An-124, além de um terminal de cargas com integração multimodal para transporte rodoviário e ferroviário. A ideia era transformar o local em um centro logístico nacional, descentralizando operações dos grandes hubs como Viracopos e Galeão, e promovendo o desenvolvimento de um parque industrial no entorno.

Instituto de Desenvolvimento de Londrina

    Estudos preliminares realizados pelo Instituto de Desenvolvimento de Londrina (CODEL) e entidades empresariais indicavam que o eixo Londrina–Maringá possuía uma das maiores concentrações de PIB e produtividade agrícola e industrial do estado, com forte vocação exportadora. A viabilidade técnica e econômica foi posteriormente incluída em um escopo de análise da USTDA (U.S. Trade and Development Agency), agência norte-americana de apoio ao desenvolvimento de infraestrutura.

"Parque Estadual Mata dos Godoy"

    Apesar do apoio empresarial e da articulação de lideranças políticas da região, o projeto enfrentou forte resistência de setores ambientais e de parte da sociedade civil. A principal crítica estava na localização proposta: uma área rural ao sul de Londrina, nas proximidades do Parque Estadual Mata dos Godoy, unidade de conservação de Mata Atlântica com alto valor ecológico.


    Entidades como a ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) e o movimento “Arco Norte Sim! Perto da Mata, Não!” alertaram sobre os impactos ambientais que o projeto causaria em uma zona de amortecimento estimada em mais de 3.000 hectares. Os riscos incluíam degradação da biodiversidade, comprometimento de mananciais, desequilíbrio climático e ameaça a espécies nativas da flora e fauna. O Conselho Regional de Biologia da 7ª Região (CRBio-07) emitiu moção contrária à instalação do aeroporto nas imediações da reserva.


    Em contrapartida, setores da indústria e da construção civil, representados por entidades como a ACIL (Associação Comercial e Industrial de Londrina), defenderam que a localização era tecnicamente adequada, considerando fatores como topografia plana, ventos predominantes favoráveis e proximidade com rodovias de escoamento logístico, além de já contar com parte da área desapropriada e designada por decreto municipal.


    Mesmo assim, o impasse se acentuou. Em março de 2014, o então prefeito Alexandre Kireeff revogou o decreto que declarava a área como de utilidade pública, acolhendo recomendação do Ministério Público e reconhecendo os questionamentos ambientais. A decisão representou, na prática, o arquivamento do projeto sem um novo local definido e sem previsão de retomada.

    Desde então, o Projeto Arco Norte permanece engavetado, sem avanços concretos. A falta de consenso entre os agentes políticos, a ausência de novos estudos ambientais e a perda de tração institucional inviabilizaram sua continuidade. Em um momento em que se discute a saturação da atual infraestrutura aeroportuária de Londrina, a lembrança desse projeto adquire nova relevância, reacendendo o debate sobre soluções logísticas de longo prazo para o Norte do Paraná.

Fontes:

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Conheça a nova sala de embarque do Aeroporto Governador José Richa (Londrina)


Ontem (01/11), durante a primeira edição do Spotter Night no aeroporto de Londrina, conhecemos a nova sala de embarque do aeroporto que agora oferece mais espaço e comodidade aos passageiros que embarcam para os vários voos que partem da cidade de Londrina. A estrutura pode comportar até 400 passageiros com uma estrutura três vezes maior que a antiga sala de embarque do aeroporto.




O acesso à nova sala de embarque encontra-se a direita dos balcões de check-in para o observador que está na fila para atendimento, onde havia um jardim. Além disso, há novos sanitários ao lado da entrada da sala de embarque e logo após a passagem pela inspeção na área comercial.


A sala possui uma área de 1,2 mil metros quadrados com uma capacidade de 374 assentos, tomadas elétricas, três pórticos de inspeção (raio-x), vários informativos eletrônicos e boxes comerciais, ainda em implementação.



O novo espaço conta com 4 portões de embarque e estão atendendo os passageiros da Azul Linhas Aéreas e os passageiros da GOL Linhas Aéreas.


Os boxes comercias dentro da sala de embarque ainda estão em implementação e expansão, em breve , o passageiro terá mais opções de comércio dentro da nova sala.


Segundo a Infraero, no dia 6 de março desse ano foi retomada a obra da nova Administração do Aeroporto e das instalações da Sala Radar, que tem prazo de conclusão em setembro de 2017. O valor desses investimentos é de R$ 7,2 milhões.



Embora que o espaço seja simples, o conforto, as facilidades e a funcionalidade da nova sala de embarque, ampliaram a experiência dos passageiros que embarcam em Londrina. O ELO (Mamuth),"sistema de conectores climatizados projetado para fazer a interligação ao nível do solo entre salas de embarque e desembarque e aeronaves, permitindo que os passageiros, inclusive os deficientes ou com mobilidade reduzida, transitem ao mesmo tempo, com conforto, segurança e acessibilidade, ao entrar ou sair dos aviões" (INFRAERO), será, em breve, ampliado e também atenderá os passageiros que saem dos portões de embarque até a porta das aeronaves com toda a comodidade promovida pelo sistema.

Fonte:

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Plano Diretor do Aeroporto de Londrina

Muitos se questionam sobre o futuro do Aeroporto de Londrina. Pois bem, graças ao nosso amigo e editor Fábio Faria, tive acesso ao Plano Diretor proposto para o Aeroporto de Londrina, confesso que achei simples porém eficaz e com os pés no chão, o que condiz com a realidade a curto/médio prazo para a região.

O Plano Diretor é datado de Abril de 2014 e contempla duas intervenções. Uma que seria em 2015 e outra projetada para 2020. A aeronave crítica utilizada para base do projeto é o Boeing 737-800 conforme a projeção apresentada no documento e para quem quiser consultá-lo mais afundo pode acessar este link.
Situação do Sítio Aeroportuário atual
Atualmente, o projeto do aeroporto de Londrina é datado de 1987 e não atende demanda técnica de operação para aeronaves para o quela inicialmente foi projetado. Convém lembrar que a estabilidade econômica desde 1994 fez com que em 2011 o terminal aéreo de Londrina atingisse um movimento muito diferente do proposto.

As faixa em Azul e Marrom a serem desapropriadas
No plano diretor o aeroporto foi caracterizado para transporte doméstico regular, não regular e de aviação geral e transporte doméstico de cargas. A operação predominante, é na cabeceira 13, com 80% de operação e em 96% do tempo opera-se em condições climáticas de voo visual.

As modificações contemplam a ampliação de todo o complexo aeroportuário, desde a pista de pouso e decolagem, pistas de taxi, ampliação do terminal de passageiros implantação do ILS e construção de um edifício garagem para o estacionamento de carros. As modificações que deveriam sem implantadas a partir de 2015 são basicamente as seguintes:
  • Ampliação da Pista de Pouso e Decolagem em 600 m no sentido da cabeceira 31; 
  • Implantação de RESA  de 150m x 240m em cada uma das cabeceiras; 
  • Deslocamento da pista de taxi e rolamento, paralela à pista de pouso à esquerda da pista no sentido 13/31,com distância entre os eixos da Pista de Pouso e Decolagem e da pista de rolamento de 176m; 
  • Implantação  pista de taxi e ligação  com acesso à cabeceira 31 ; 
  • Implantação de duas pistas de saída rápida ; 
  • Ampliação do pátio de aeronaves,  totalizando aproximadamente  52.200 m²;   
  • Ampliação do terminal de passageiros: será construída adjacente ao novo pátio de aeronaves, em dois níveis operacionais, totalizando uma área de terminal de aproximadamente 36.000m². Junto à ampliação do terminal de passageiros, serão instaladas sete pontes de embarque; 
  • Implantação de pátio de aeronaves para a Aviação Geral com aproximadamente 2.470 m²; 
  • Ampliação do estacionamento de veículos, por meio da implantação de edifício garagem, sobre a área do atual estacionamento de automóveis, com 6 pavimentos e área total de aproximadamente 45.960 m² ; 
  • Implantação de Terminal de carga com área de 1.500 m².  
  • Implantação de área para hangar totalizando aproximadamente 19.720 m²; 
  • Implantação de nova área para SESCINC com 10.000 m²; 
Implantação final da ampliação do Aeroporto de Londrina
Além do edifício garagem a ser construído, teríamos um novo terminal, com sete pontes de embarque, novo pátio para a aviação comercial e geral, nova taxiway's, ligando o pátio até ambas as cabeceiras além de taxiway's de saída rápida, aumentando assim consideravelmente o número de operações do aeroporto. A nova pista terá um comprimento de 2.700 metros utilizáveis no sentido da cabeceira 31 e 2.365 no sentido da 13, devido ao deslocamento desta mesma cabeceira pela proximidade dos prédios.

Será construído também uma nova Seção Contra Incêndio, próximo de onde será localizado no D-VOR, localizado praticamente na metade da pista. Para tudo isso, foram gastos só pela prefeitura o equivalente a R$ 36 milhões, sendo que a face sul está completamente desapropriada e a face norte cerca de 84% dos terrenos já foram negociados e o restante entrará na justiça pedindo a revisão do valor do imóvel. Mesmo assim, para esses terrenos que não foram assinado um acordo, será depositado 80% do valor e será feita a desapropriação.
Obras mais simples, como a sala de embarque por hora seguem paradas