O Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV) já executou os voos de homologação do componente Glide Slope (GS) do Sistema de Pouso por Instrumentos (ILS). A pergunta que naturalmente surge é: o sistema já está operante e homologado? A resposta objetiva é não, não está operante e tampouco homologado.
O GS constitui apenas um dos elementos do ILS. Sua função é definir a rampa de aproximação vertical que conduzirá a aeronave da altitude inicial até os mínimos do procedimento de Categoria I (CAT I). Esses mínimos, como já analisado anteriormente, são semelhantes aos valores atualmente utilizados na aproximação baseada em navegação por satélite e performance da aeronave. O GS, portanto, não opera isoladamente, ele integra um conjunto de subsistemas que precisam estar calibrados e certificados em sincronia.
O cronograma inicialmente divulgado permanece confirmado tanto pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) quanto pela assessoria da Força Aérea Brasileira (FAB), conforme repassado à imprensa. Contudo, algumas informações foram tratadas de forma superficial por veículos locais, o que tem gerado interpretações equivocadas sobre o real estágio do projeto.
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| "Aperfeiçoamento do esquema ILS FAA para a realidade do aeroporto de Londrina" |
O professor universitário e especialista em Gestão Aeroportuária, Fábio Faria, editor das páginas TMA Londrina e F.FARIA AVIATION, esclarece que ainda falta uma etapa essencial no processo. Segundo ele, “o GS é apenas um dos componentes do sistema ILS, o Localizer (LOC) também precisa ser calibrado e inspecionado pelo GEIV. O ILS funciona na combinação entre orientação lateral e orientação vertical, gerando um caminho tridimensional até a altitude de decisão, ponto onde o piloto opta por arremeter ou prosseguir com o pouso visual. Os voos recentes do GEIV contemplaram somente a inspeção do Glide Slope, restando ainda inspeção, homologação e, posteriormente, a efetiva operacionalidade do sistema nos parâmetros estabelecidos para a Categoria I”.
Em relação ao NOTAM, o professor esclarece: “o NOTAM, acrônimo para Notice to Airmen, é o instrumento oficial utilizado para divulgar avisos, alterações e restrições temporárias que tenham impacto direto na operação aérea, aplicável à aviação civil e militar”. Sobre o documento atualmente vigente, Faria explica: “desde 29 de outubro está publicado um NOTAM tornando indisponível o procedimento ILS Z da pista 31 (RWY31) até 24 de fevereiro de 2026. Isso ocorre porque o sistema ainda não está homologado. Além disso, subsistem restrições visuais que impedem a redução dos mínimos. Inicialmente, o ALS não atendia ao requisito do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil número 154, porém, a ANAC já aceitou a solução proposta mediante o compromisso da operadora em desinstalar o equipamento VOR situado no prolongamento das torres de luzes do ALS na cabeceira 31”.
Ao ser questionado sobre eventual descontinuação antecipada do NOTAM, o professor complementa: “não há, até o momento, publicação de nova carta de aproximação ILS para a cabeceira 31, ou previsão para o novo ciclo, o qual chamamos de ciclos AIRAC. Portanto, ainda que a inauguração ocorra em 10 de dezembro de 2025, considero improvável que o sistema esteja plenamente operacional nesta data. Somente com a homologação completa do ALS, LOC e GS, e com a retirada do NOTAM, as aeronaves poderão efetivamente utilizar o procedimento ILS. O cenário mais provável é a edição de um novo NOTAM ajustando os mínimos da carta em função do ALS, com a homologação efetiva e esse NOTAM, talvez, o procedimento possa ser executado pelas aeronaves comerciais”.
Em relação aos próximos passos, o professor acrescenta: “teremos novos voos de inspeção e calibração. Trata-se de um processo altamente técnico, rigoroso e minucioso, diretamente vinculado à Segurança Operacional. Mesmo sendo um sistema de Categoria I, o conjunto de antenas e sinais guiará a aeronave até muito próximo do solo, motivo pelo qual o nível de precisão e confiabilidade exigido é extremamente elevado”.
O cronograma oficial divulgado pela FAB em resposta ao TMA Londrina estabelece as etapas:
- Infraestrutura para o ILS, de 20 de julho a 22 de setembro. (executado)
- Montagem do ILS, de 12 de outubro a 8 de novembro. (executado)
- Testes em sítio, de 9 a 15 de novembro. (em andamento)
- Voos de homologação, de 16 a 22 de novembro.
- Inauguração oficial, prevista para 10 de dezembro de 2025.
Sobre as responsabilidades quanto a possíveis atrasos o professor relembra que "não se trata de culpa da ANAC, do DECEA, da FAB ou da concessionária Motiva. A aviação é complexa, e a burocracia existe para garantir um padrão elevado de segurança e eficiência. Aqui falamos da Garantia da Segurança Operacional, não apenas de retorno financeiro ao aeroporto ou ao município”.
Aguardam-se as próximas atualizações referentes ao retorno do GEIV e ao laudo técnico das inspeções realizadas no componente Glide Slope. Embora o cronograma oficial esteja mantido, a análise técnica indica que persiste a dúvida sobre o pleno funcionamento do sistema na data de 10 de dezembro de 2025, conforme vem sendo difundido por diversas plataformas de notícias locais.

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